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Porto Alegre,
duas da madrugada de uma quarta-feira com
muito vento, chuva e whisky superfaturado
num dos bares mais tradicionais da cidade.
Trilha sonora: o tema principal dos Trapalhões.
Na seqüência, Esporte Espetacular.
O público se olha, uma lágrima
escorre no rosto de um balzaquiano de primeira
viagem. Comoção geral: os
acordes denunciam a reprodução
da música do Spectroman. Alguém
grita: "Que saudade da TVS..."
Todos se abraçam.
Formada pelos irmãos Júlio
e Pedro Porto, da Ultramen, Eduardo Bisogno,
da Tom Bloch, e Diego Silveira, da Relógios
de Frederico, a Kung FU apresenta um repertório
calcado em trilhas de seriados, programas
de TV e muito groove - The Meters a Beastie
Boys. O próprio nome é inspirado
numa faixa, de mesmo nome, produzida por
Curtis Mayfield em 1974. O projeto, que
dá seus primeiros passos, se destaca
pelo repertório que mistura pérolas
do funk com versões instrumentais
até mesmo de instituições
do metal, como Black Sabbath. Irreverência
e qualidade na medida ideal. O MúsicaTri
bateu um papo com o guitarista Júlio
Porto, dias depois de "mais um show
secreto" da banda, como o tecladista
Eduardo Bisogno ironicamente definiu a última
apresentação, ao perceber
o reduzido número de espectadores.
Por
Daniel Bacchieri
1. Integrantes:
Júlio
Porto - guitarra
Pedro Porto - baixo
Eduardo Bisogno - teclados
Diego Silveira - bateria
Júlio
Porto - "E quando um
desses não pode, sempre tem alguém
como substituto: Chico Paixão, Ewerton
Velasquez, Maurício Nader."
2. Como tudo
começou:
Júlio
Porto
-
"Com a idéia de fazer um som
instrumental, sem compromisso."
3. Principais
referências:
Júlio Porto
- "As referências são
basicamente bandas instrumentais ou não
dos anos 60 e 70, e trilhas sonoras de desenhos
e seriados que víamos na infância."
4. A banda
é composta de guitarra, baixo, teclado
e bateria. Há interesse em ampliar,
de incluir metais na seqüência?
Júlio Porto - "Sim,
temos esse projeto. Mas não definitivamente,
só pra dar uma variada num show."
5.
Como a banda analisa o espaço para
a música instrumental no RS e Brasil?
Júlio Porto - "Aqui
no sul tá relativamente legal, mais
pelo reconhecimento do público do
que pelo trabalho em si. No resto do Brasil
não tenho muita noção,
mas ouço falar que em Curitiba e
São Paulo, por exemplo, também
rola um movimento de música instrumental
"popular", bem legal."
6.
O projeto da KUNG FU dá os seus primeiros
passos, como está sendo a reação
do público? Não provoca uma
certa sensação de nostalgia
na galera com a apresentação
de certas faixas?
Júlio Porto - "Total.
A gente toca o tema dos Trapalhões
e do Spectroman, por exemplo, e tem neguinho
que chora lembrando das tardes com Nescau
morno."
7. A KUNG
FU pretende se consolidar como banda ou
é explicitamente um projeto de lazer,
uma válvula de escape para os integrantes,
ligados a grupos já consolidados
no mercado?
Júlio Porto - "É
mais um projeto que uma banda. Acho que
válvula de escape é um bom
termo, mas não porque nossos outros
trampos estejam "consolidados no mercado"
(quem dera...). Na real, volta e meia todo
músico fica afim de coisas novas,
e esse é o caso da Kung FU."
8. Avaliação
da cena musical no Sul:
Júlio Porto - "A
cena geral? Tá ruim mas tá
bom, né?...Tenho duas frases feitas
pra responder essa, depende do leitor:
'Podia ser pior.'
'A gente nunca está satisfeito com
o que tem.'"
9. Projetos:
Júlio Porto - "Pra
agora, tocar com convidados, provavelmente
um naipe de metais. E tentar tocar em outros
lugares onde o som instrumental tá
rolando, tipo Curitiba."
10. Histórica
maluca que tenha ocorrido na estrada, em
algum show, durante gravações,
envolvendo fãs...:
Júlio Porto - "Deixa
eu deixar claro uma coisa aqui: a banda
não tem estrada, não tem disco,
não tem gravação e
provavelmente não tem fãs.
Fica até dificil classificar como
uma banda. É mais um projeto, acho
eu, de caras que já tem outros trampos
e usam a Kung Fu pra se divertir. História
maluca? Uma vez eu tomei ácido num
show, mas acho que só eu achei isso
uma história maluca..."
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