Quer conhecer mais sobre as bandas independentes do Rio Grande do Sul? Não tem idéia de por onde começar? Não precisa catar os nomes na lista telefônica, porque o Musicatri vai te ajudar.

No Gargarejo: Cabaret HiTeC

Definida pelos próprios integrantes como "uma 'department store' de ritmos que mescla influências de drum ´n bass, latin jazz, hip hop, milonga, dub, MPB, organic house, acid funk e psicodelismos afins", a Cabaret HiTeC é uma das principais bandas surgidas nos últimos anos na Serra. Formado em 2001, o sexteto de Caxias do Sul recebe influências de todos os cantos e manifestações artísticas, de Simpsons a Stanley Kubrick, passando por Primus e John Coltrane. Em entrevista com o vocalista Fabrizzio Pessôa, o MúsicaTri traça o perfil de um grupo que busca descentralizar as atenções do público e da mídia, tradicionalmente virados somente para o que acontece em Porto Alegre. Numa parceria fechada com a banda Proveitosa Prática, a Cabaret HiTeC se apresenta no próximo dia 24 de junho no Dr. Jekyll, em POA. No dia 26, é a vez do grupo da capital subir à Serra, com as duas bandas tocando no Revival, em Caxias do Sul.

Por Daniel Bacchieri

1. Integrantes:
Fabrizzio - Voz
Lappat - Percussão e voz
Zuzuwah - Guitarra
Moishe - Bateria
Boi - Baixo
Dj Spider - turntables e groovebox


2. Como tudo começou:
Fabrizzio - "A história é loooonga... Lá por 98 surgiu a idéia de fazer uma banda... Isso porque estava difícil de sair de casa pra ver shows... A maioria era de banda cover e as que tocavam música própria geralmente seguiam aquelas formulazinhas da moda. Aí a gente decidiu fazer uma banda que juntasse os nossos gostos musicais, pra tocar o som que a gente gosta. Só que o Zuzuwah estava morando em Londres e eu e o Moishe ficávamos nos enrolando... Eu ligava e ele não ligava de volta... Ficava naquela, tipo quando tu encontra um amigo de colégio e marca pra fazer um churrasco e tal... Mas quando o Zuzu voltou em 2001, ele pilhou a galera e a gente se juntou. O Zuzu e o Moishe já tinham tocado juntos numa banda de jazz, a Dona Benta. Chamamos o Spider, depois o Lappat e a gente tava catando baixista. Aí uma amiga nossa disse que o irmão dela tocava. Esse cara é o Boi, que na época só queria saber de hardcore...Foi legal porque ele deu um peso massa pra banda. A partir daí, a gente foi tocando, compondo, e chegou no que é hoje."


3. Influências:
Fabrizzio - "Bah, essa é difícil responder... Tudo acaba influenciando de alguma forma e cada um de nós tem as suas influências, não só de bandas... Às vezes um filme pode ser um influência, um livro, sei lá. Além disso, apesar dos componentes da banda terem gostos em comum como Red Hot, Nação Zumbi, Zemaria, Hermeto Pascoal, Asian Dub Foundation, Arnaldo Antunes, Piazzola, Rage Against the Machine, 4hero, Run-DMC, Jamiroquai etc, cada um tem seus gostos e coisas que influenciam mais... Acho que isso é uma das coisas boas da banda... A gente junta vários gostos numa coisa só. Falando de mim, bandas e afins que começam com P costumam ser bons... Pixies, Placebo, Portishead, Piazzola, Paganini, Public Enemy, Plastilina Mosh, Plastikman, Pixinguinha...."

4. Discografia:
Fabrizzio - "Até agora temos a nossa demo, que já não existe mais, chamada Cabaretudiness e o nosso CD que recém foi lançado, com o financiamento do FundoPróCultura da prefeitura de Caxias do Sul, chamado Complexo Lo-Fi."


5. Locais, cidades, festivais onde já tocou:
Fabrizzio - "Já tocamos várias vezes nos bares e casas noturnas de Caxias do Sul, como Galleria, Revival, Partenon, Zarabatana, Quinta Estação etc, tocamos também em projetos da prefeitura, como retorno ao financiamento do CD. Já tocamos em Tramandaí, num bar que eu não lembro o nome, acho que é Tropical. Em Porto Alegre tocamos no 8 e 1/2, Zelig e Vermelho 23. De festivais a gente não participou ainda, não por falta de vontade mas por falta de informação... Me dá uma raiva porque eu só fico sabendo dos festivais depois que o prazo de inscrição acabou... Enfim, faz falta um produtor..."


6. Com quem o grupo gostaria de dividir o palco:

Fabrizzio - "Olha meu, na real a gente queria dividir o palco com qualquer banda que tenha uma certa afinidade de estilo e que esteja disposta a fazer parcerias. Tipo o que estamos fazendo com a Proveitosa Prática. A gente toca em POA e eles aqui em Caxias. A gente quer divulgar o nosso trabalho fora da Serra. Mas se fosse escolher hoje, acho que seria Nação Zumbi."

7. Histórica maluca que tenha ocorrido na estrada, em algum show, durante gravações, envolvendo fãs...:
Fabrizzio - "Olha, a gente já se meteu em muuuita indiada.... Já aconteceu de amplificador queimar sozinho, teve uma vez que a gente estava ao vivo na TVE e deu pau na guitarra. A gente acabou tendo que tocar uma música sem guitarra. Teve show que a gente teve de ir pra POA pra colar cartazes nas ruas, pra depois, com a grana da bilheteria, não conseguir nem pagar a Van... Mas eu acho que a coisa mais engraçada que aconteceu foi no show de lançamento do CD... Quando a gente tava tocando Homem Bugio, o pessoal se emocionou e começou a subir no palco pra se jogar. Só que lá pelas tantas o pessoal começou a pisotear as tomadas da aparelhagem e os pedais do baixo, até que o baixo parou de funcionar... O Boi não pensou duas vezes... Largou o baixo e se atirou também... Mas nesse meio tempo um carinha subiu no palco, podre de bêbado e falou: 'Vai lá, pode tocar...' Ele não queria entregar o baixo de volta pro Boi de jeito nenhum... Ficou nessa até que o Boi begou o baixo, mas ele não descia do palco... Aí a gente foi tocando e volta e meia ele vinha, arrancava o microfone de mim e cantava..."

"Outra engraçada foi uma que uns amigos nossos nos convidaram pra tocar. A gente chegou lá e os caras não tinham nada de aparelhagem, acabaram usando a minha caixa pra colocar som na festa, a gente ficou por último pra tocar e quando tocamos não tinha mais ninguém na festa, todo mundo podre de bebum... Ah, e ainda quebraram o baixo fretless do Boi... Foi a última vez que a gente tocou por 'parceria'."

8. Avaliação da cena musical no Sul:
Fabrizzio - "Olha bruxo, no meu ver, tá mal das pernas. Pessoal confunde muito a cena musical gaúcha com a cena de Porto Alegre, e acaba generalizando o som gaúcho como o rock gaúcho. Nada contra, eu particularmente gosto de Graforréia, Cascavelletes e tal, o problema é que às vezes me dá a impressão de que se parou no tempo. São dezenas de 'filhos de Frank Jorge, Flávio Basso...' Muita banda tu ouve o nome e já sabe o que tu vai encontrar... Parece que o pessoal parou nos anos 80/90. Claro que tem coisa legal saindo, mas parece que mesmo o público continua cultuando sempre o mesmo estilo... Parece que falta criatividade. E eu acho o povo gaúcho meio acomodado também... Deve ter um monte de banda legal entocada por aí, mas o público, apesar de muitas vezes posar de 'alternativo', ligado e coisa e tal, de maneira geral não costuma sair de casa pra ver uma banda nova, a não ser que digam que é 'in'. Eu por exemplo, mesmo tendo vários amigos em POA, não consegui colocar gente o suficiente pra pagar a Van no ano passado. Aí vem tocar a Peaches e lota o Dado Tambor, mesmo sendo que mais da metade das pessoas que estavam lá não sabiam quem ela era, mas ouviram falar que 'ela é louca'."

"Resumindo, acho que falta criatividade pras bandas e cultura pra incentivar trabalhos próprios. Ah, e falta também gente legal pra produzir as bandas... Isso é um inferno... Tem muita banda boa que acaba morrendo porque os caras não conseguem mostrar o trabalho fora de suas cidades."


9. Momento marcante da banda:
Fabrizzio - "Teve vários, mas acho que o mais marcante foi o lançamento do CD, aqui em Caxias. O show foi muito bom, ver a galera lotando o bar, cantando as músicas e se atirando no palco... Foi muito afudê."


10. Projetos:
Fabrizzio - "A nossa idéia agora é tocar fora. A gente gosta de tocar em Caxias, mas aqui o pessoal já nos conhece e já temos um reconhecimento legal... Agora a gente quer mostrar nosso trabalho pro resto do Brasil e tentar desmistificar um pouco essa idéia de que no RS só se faz rock gaúcho. Só que tá foda porque a gente gravou o CD independente e ainda não temos nem produtor nem ninguém pra distribuir o CD... Aí temos de ficar correndo atrás de contatos e coisa, mas, enfim, estamos na lida... Não tá morto quem peleia!"

CONTATO (webpage, e-mail, telefone, onde encontrar singles, EPs, CDs):
Site: www.cabarethitec.com.br
www.tramavirtual.com.br/cabaret_hitec
cabarethitec@cabarethitec.com.br
(054) 99766517

Pra comprar os CDs, entre em contato com a banda ou pelos seguintes endereços:

Em Caxias:
• Virtual
• Fractal
O Colecionador
Amorim Cabeleireiros
Pró Musica
Yes! Cultural
Lucia cabeleireira
Banca 29 do Camelódromo

Em Porto Alegre
• Led’s Discos
Beatnik

Em São Paulo:
• VELVET CDs
Rua : 24 de Maio, 116 Loja 26 - Sobreloja - Centro / SP
Fone : 11 221 8947
velvet@velvetcds.com.br

• TREZETA MUSIK
Música & Estilo Underground
Galeria do Rock
Rua : 24 de Maio, 62 / Terceiro andar / Loja 470
11 3362 0367
www.trezetamuzi.com.br


Em Londres:
• HONEST RECORDS
Portobello Road
Nearest Tube: Ladbroke Grove
London

• CD CITY
42 Berwick Street
SoHo, London
W1F 8RZ
Nearest Tube: Oxford Circus

   
   
   
 
   
   
 

Site melhor visualizado com Internet Explorer 5 ou superior
Todos os direitos reservados © 2001-
MúsicaTri