O MusicaTri teve a oportunidade de conversar com Arthur de Faria em uma entrevista super bacana! Selecionamos um trecho para a seção Rádio Gagá.

Como jornalista, músico e comunicador, o rádio no RS dá espaço para todos os estilos de música?

Arthur de Faria: "
Eu acho que poucas rádios dão espaço na verdade. Eu tenho uma visão...Eu tô há 9 anos trabalhando em rádio. Eu nunca tinha ouvido rádio até ir trabalhar no rádio. Nunca foi um hábito que eu tivesse, lá em casa não se tinha o hábito de ouvir rádio. Então, quando eu comecei a trabalhar numa rádio eu descobri um mundo novo. E descobri, entre muitas coisas, que rádio é business, né? Rádio é um negócio. Não tem que ter essa coisa de "as rádios têm que ser melhores". As rádios têm que preencher as necessidades de quem paga as contas delas. É uma coisa pouco romântica, mas é a vida real. Então por exemplo. A Ipanema, a Poprock e a Atlântida agora, prestam uma função na medida em que tocam os artistas de pop/rock gaúchos. Que têm qualidade dentro daquele padrão do que é pop/rock para tocar no rádio. Que fazem bem isso e que sabem fazer isso. Essa é a função. E acho que a rádio lucra tocando isso. Todas as rádios lucram, senão não tocariam. Acho que tem a FM Cultura, que atende todo o outro segmento, a rádio da Unisinos, que tem um leque um pouco mais aberto.

Agora, eu acho que a gente não pode ser romântico quanto a isso. Em todos esses anos que eu trabalho na rádio, tem uma coisa que se repete e me dá muita pena e muita infelicidade, que é assim: o cara que tem um trabalho absolutamente do caralho, ou mesmo um trabalho medianamente do caralho (risos). Um trabalho bem legal. Que não tem absolutamente nada a ver com a rádio e não tem nada a ver com a programação da rádio. Mas por algum motivo, ou porque o cara não ouve rádio ou porque o cara não tem essa sacação, ele vai lá na rádio e leva o disco tendo esperança porque o trabalho é bom,. E efetivamente é! E que vai tocar no rádio... Aí não vai tocar! Não porque a rádio é malvada ou porque o trabalho é ruim. É porque aquele trabalho não é para aquele tipo de rádio. A rádio tem outro perfil no qual aquilo não se enquadra. Esse cara vai ficar infeliz, vai achar que ele é um merda ou então vai achar que o pessoal da rádio é sacana. Que a coisa só funciona se pagarem. Esse tipo de maturidade que eu acho que cada vez mais o artista tem que ter. A gente não pode mais ter aquela visão romântica porque cada vez mais a saída é independente. Acho que cada vez mais tu tem que saber administrar a tua própria carreira e pensar isso de uma forma espalhada. Saber encontrar as pequenas brechas e saber que vender 5 mil discos para um determinado trabalho é um sucesso tão grande quanto vender 1 milhão pra um outro. Existem trabalhos que são pra vender 1 milhão de cópias e outros são pra vender 5 mil cópias e nenhum é melhor que o outro. São coisas diferentes. Exercem funções sociais diferentes, são feitos por motivos diferentes. É muito importante que as pessoas se dêem conta pra não serem frustradas ou se sentirem fracassadas e tal. As vezes as pessoas são vitoriosas e não se dão conta porque tem uma mentalidade que é lá dos anos 60. Quando a mídia era muito aberta, quando um trabalho de qualidade como o do Chico e do Caetano tava na mídia a toda hora. Hoje não é mais assim.

E mesmo nessa época, em 61, por exemplo, quando o João Gilberto lançou o seu segundo disco, deve ter vendido 5 mil cópias. O Teixeirinha vendeu 1 milhão. A música de massa, considerada ruim por todos nós, e se é ruim ou não já é discussão pra uma semana, essa música sempre teve mais público e sempre vai ter mais público em qualquer lugar do mundo em qualquer circunstância. Tu não tem que achar que o mundo tem que mudar porque as pessoas são injustas, porque não são! A vida não é assim! Tem que pensar de formas diferentes, conforme o trabalho que tu quer realizar".

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