Em Brasilia era quase meia noite, ou talvez já passasse da meia noite do dia 18 de julho… o que importa? Festival Porão do Rock, segunda noite, chegando ao climax anunciado. Marcelo D2 se apresenta para o público fortemente Hip Hop, que dança e canta junto. Enquanto mais uma banda se apresenta no palco Brasil (antigo palco nº 2) a Cachorro Grande monta os instrumentos e testa o som no palco principal.
Expectativa… Supla foi apedrejado naquela tarde. Seu pobre baterista levou uma pedrada na cabeça e o show acabou na terceira música. Ao longo do festival predominam as bandas de metal rock, hip hop e funk pesado (e inúmeros derivados de mutações transgênicas dos gêneros). O que diabos aqueles 5 gaúchos com terninhos pretos e gravatinhas vao se meter com aquela platéia? Qual será a reação do público? Esta é a pergunta nos camarins, entre alguns músicos e jornalistas. O público de D2 deveria estar ansioso pra ouvir o Rappa, que entraria após a Cachorro Grande
Luz no palco, som na caixa! E tome rock and roll! A combinação de energia, melodia, riffs, suor, um baterista animal, um vocalista alucinado com presença forte no palco e competência vai aos poucos dominando a arena do rock candango. A banda está lançando seu novo CD – As Próximas Horas serão Muito Boas – que chegou na mesma semana às bancas da cidade, encartada na revista Outra Coisa, da editora-gravadora de Lobão, agora em pele de produtor. A platéia reage bem ao rock enérgico, melódico e temperado de referências mods. Os pés começam a marcar o ritmo no chão a medida que o repertório vai sendo desfiado.
Quando uma música do primeiro CD é anunciada o público reage, como se já conhecesse. E é isso mesmo. O refrão é acompanhado pela platéia. Underground é assim mesmo. As boas noticias se espalham por ai.
O clímax do show foi quando Beto Bruno convidou o boss Lobão para tocar uma música. Quando a banda atacou de Helter Skelter, dos Beatles ai a platéia se rendeu completamente à onda de energia que rolou do palco. Foi um número apenas, mas com a melhor energia de visceralidade e bom humor que só o rock sabe ter. Lobo e cachorros uivaram em uníssono a canção dos reis do rock e levantaram a platéia, que entregou os pontos, pulou e cantou junto. Pela quantidade de fotógrafos e cinegrafistas se acotovelando na frente do palco pode-se imaginar que este momento concorre ao troféu clímax do Porão do Rock 2004. Time will tell.
Mais alguns poucos números e a meia hora da Cachorro Grande no Porão do Rock estava encerrada. Não precisava mais. O recado foi dado com muita competência. Long Live Rock.