Engenheiros atacam na veia - Ao vivo no Opinião

Por Tanara de Araújo

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Teve gente que duvidou. “Show do Engenheiros? Não vai lotar, não, tu vais poder trabalhar tranqüila”. A questão é que a casa lotou, ou melhor, abarrotou. Fãs mais velhos, gurizada e até clones (vários) de Humberto Gessinger se apertavam para ver a banda apresentar o repertório de Dançando no Campo Minado e uma chuva de hits, clássicos ou não. Só não tive problemas pra trabalhar porque meu micro tamanho ajudou nos deslocamentos.
Antes do show, um documentário sobre o novo disco e a estréia do clip de Na Veia serviram para colocar a galera no clima. Com um atrasinho básico de uns 40 minutos – o horário oficial era às 23h – Humberto Gessinger e Cia são revelados diante de um cenário caprichado para começar uma história de agradar gregos (fãs antigos e saudosistas) e troianos (fãs jovens, conhecedores da fase mais atual). E tome canções de praticamente todos os cds. As já íntimas do público Até o Fim e Na Veia puxaram o restante do repertório de Dançando. Numa demonstração fiel de boas-vindas, o material novo foi relativamente bem acompanhado pelo público – fale o que quiser dos Engenheiros, mas manter uma legião de fãs que se preocupa em conhecer o disco na íntegra não é para amadores.
Mas, porém, todavia, contudo, entretanto, não há chance de uma concorrência leal quando entram no páreo os primeiros acordes de Infinita Highway, os versos proféticos de Terra de Gigantes ou a delicadeza de Piano Bar e Refrão de Bolero. Clássicos indiscutíveis, dos quais a única saída é levantar os bracinhos e engrossar o coro com orgulho. E não foram apenas os from 80’s que mandaram nos desejos auditivos dos presentes. A empolgação causada por A Montanha e A Promessa assina embaixo das minhas palavras.
Além da competência do set-list, a banda se mostrou entrosada. Presenciar o público gritando “Paulinho” a cada riff defendido por Paulinho Galvão, a energia de Bernardo Fonseca e o punch de Gláucio Ayala comprovam que classificar a formação Gessinger, Licks & Maltz como insubstituível é puro apego mitológico. Além disso, a convivência com esses meninos está rejuvenescendo Humberto e minimizando rusgas com o mundo que uma longa estrada inevitavelmente traz. Recém-chegado à temida casa dos 40, o cantor esbanjava juventude, tanto em seu traje de bermudas e All-Star, como no pique pra mandar três bis rechonchudos após o término oficial do show. Coisa de quem não veio até aqui pra desistir agora.

 

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