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MOTEL FLAMINGO, JADY OHANA e P4F
GOOD MUSIC ROCK FESTIVAL no Dr. Jekyll 20/11/2003
Por
Eduardo da Camino
Segue
a bronca da Good Music. As bandas Motel Flamingo,
Jady Ohana e P4F deam a cara a tapa. E deram bem.
Como na primeira semana, esta quinta mostrou três
shows tecnicamente impecáveis, bem amplificados,
timbrados e executados. Já fica na cabeça
aquele pensamento: "A grande mídia
é um ovo podre mesmo, tanta banda interessante,
pra tudo quanto é tipo de público,
e a gente não fica sabendo de nada".
Só por isso, iniciativas como esta merecem
respeito. Claro que daí a gostar de tudo
eu aparecer já vai um caminho....
Acione sua visão microscópica pra
não perder nenhum detalhe da Motel Flamingo.
Tudo funciona nessa banda. Garantem imensa respeitabilidade
exatamente porque não se respeitam. Primeiro,
a imagem: um arranjo de luzes de natal em formato
de flamingo os emoldura num legítimo anúncio
de motel.
Todos os músicos usam camisetas vermelhas
(no caso do vocalista, um avental!!!) com o nome
da banda nas costas (em letras douradas!) e o
símbolo na frente. E como é o símbolo?
De novo, pense em logotipos de motel!
E para os ouvidos? Meu amigo, parece Butthole
Surfers! Ou Violent Femmes, ou até Frank
Jorge. Mas é outra coisa: é música
com MUITA cara própria! Vai dum instrumental
com coro lá-lá-lá em voz
de monstro até crônicas sobre um
telefone que não pára de tocar.
Além de tranqüilizar a platéia
quanto à sanidade dos músicos, segundo
a canção "Eu Tomo Minhas Pílulas?!
Pena que ?Thomas Magnun", a música
do
CD, é a menos interessante do set list.
Escalas simples e ao mesmo tempo esquisitas, intervenções
bizarras do teclado em teminhas que complementam
a voz, linhas vocais parcialmente faladas, com
entonação debochada. E estão
aqui do lado, em Santa Maria, e ninguém
neste mundinho que é Porto Alegre conhece.
Pena.
Eis que a Jady Ohana, lá de Vacaria, surge
com baixo, duas guitarras, vocalista com violão.
Instrumentos bonitos, timbres cristalinos. E eles
tocam o riff de "Cocaine" e emendam
"Ando Meio Desligado" com levada de
bumbo duplo no refrão!! Além de
abrir com uma cover, assassinam a coitada. Finalmente,
tocam "Caminhos", a música que
estará no CD do Festival. Arranjo trabalhado,
uma guitarra faz cama pra outra, mas a letra é
algo de constrangedor. Eles se arriscam no hard
rock, terreno perigoso, um verdadeiro "campo
minado" (também é uma música
da Bandaliera, e foi com essa que eles encerraram
o show) que só os fãs
atravessam incólumes. Mas não havia
fãs de hard rock no Jekyll nesta noite.
Resultado: público gelado. Também
pode ser porque o baixista passou o show inteiro
de costas pra platéia. Mas é uma
excelente banda cover.
Finalmente, "um pouco de punk rock tosquera",
segundo o vocalista da P4F. O nome significa ?Play
For Fun?, mas as músicas são em
português (ainda bem!). A "tosquera"
se resume ao volume exagerado, já que se
trata de "popcore" bem tocado. Parece
com quê? Parece que vieram da Califórnia,
logo, falta cara própria. Uma cover de
CPM22 lá no meio do show podia ter passado
como música própria. Mas "Lembranças"
se destaca pela levada "pulante" das
guitarras. E poucas bandas novas têm um
baterista tão bom ou tanta naturalidade
no palco.
E
já que não custa, VOU REPETIR:
Na quinta 27/11 tem Papai José, Smoking
Less e Freakazóide. Nunca ouviu falar de
nada disso? Nem eu. Por isso mesmo é que
vale a pena ir. Doe 1kg de alimento para o Fome
Zero (lá na Good Music, não leve
pro Jekyll) e ganhe um ingresso.
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