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GOOD MUSIC ROCK FESTIVAL no Dr. Jekyll –
13/11/2003
MAJOR FOX, GRAMOPHÔNICA, CABALA e CLÁUDIO
VERA CRUZ
Por
Eduardo a Camino
As
dez bandas classificadas do 2º Good Music
Rock Festival vão mostrar, em 3 quintas-feiras
(13/11, 20/11 e 27/11), no Dr. Jekyll, um retrato
mais amplo do trabalho que as levou ao CD que
será lançado nos primeiros meses
de 2004. A idéia de fazer um CD com bandas
novas é boa, mas colocá-las pra
tocar MAIS do que somente a música que
foi pro disco é excelente. Não sei
se era isso que o Nei Van Sória e cia.
tinham em mente, mas é esse o grande filé:
dar espaço pra bandas de todo o estado
(6 das 10 são do interior) em Porto Alegre.
Se o “público alternativo”
daqui não fosse tão umbiguista,
poderia se dar a chance de descobrir boas coisas.
Ou não. Veremos nas próximas duas
semanas se o quadro geral do CD fica tão
acima da média quanto a primeira leva.
Aos shows, pois.
Já batia as 00:00 horas quando a Major
Fox, da praia de Imbé, abriu os trabalhos.
“2a+”, a música que vai estar
no CD, não é ruim, mas desaparece
em comparação com “Algumas
Coisas Boas Pra Lembrar” e “Bons Soldados”.
Esta, com sua crítica à guerra,
é um vislumbre do potencial da gurizada.
Há o que amadurecer nas composições:
dá pra explorar melhor a 2ª guitarra,
pois em vários momentos os 3 instrumentos
de corda faziam a mesma coisa. Já nos quesitos
pegada e desenvoltura, temos uma banda mais que
pronta. Conheça o trabalho deles em <<www.majorfox.cjb.net>>
e leia a resenha
do CD “Algumas Coisas Boas pra Lembrar”.
O segundo show saiu “direto do túnel
do tempo” (perdão, leitores!). É
que a Gramophônica, que vem lá de
Muçum, poderia muito bem ter participado
de alguma coletânea em vinil, junto com
TNT, Cascavelletes e Garotos da Rua. O que não
é necessariamente uma coisa boa. Se o som
é de encomenda para os fãs dos supracitados,
também soa bastante datado. E onde estamos?
Num festival pra mostrar novos talentos, a banda
traz um repertório 50% cover!!! Sem discutir
o mérito das canções (TNT,
Cachorro Grande, Beatles, Pink Floyd), a idéia
não é essa. Ou pode ser? O público
pareceu gostar mais das covers que dos originais.
Mas se agrada.....
E aí veio um megafone! Metade do vocal
a primeira música da Cabala é cantada
através da ferramenta repressora. Mas fica
legal! E não só isso: a cozinha
é um primor de peso e criatividade, o set
list passeia pelo funk (arriscaram até
“Suck My Kiss”, dos Chili Peppers),
hardcore e riffs ganchudíssimos, o vocalista
sabe interagir com a massa. E tudo muito bem timbrado.
Melhor show da noite, fechado com uma excelente
levada com direito a bongôs, teclado e solo
de baixo. Aprofunde-se em <<www.cabala.tk>>
Chegamos enfim a Cláudio Vera Cruz. Tocando
de paletó e sem palheta, que nem Mark Knopfler.
Qualquer má impressão causada pela
aparente “seriedade” da banda é
logo desfeita por Cláudio: “Somos
uns velhos degenerados que só falam de
sexo”. E convida a platéia para “gozar
junto”. Mas ainda se mantém algum
respeito, afinal estamos diante de um ex-membro
do Liverpool e do Bixo da Seda. E Cláudio
segue nessa sua estrada do bom e velho rock’n’roll:
“Debaixo dos meus lençóis”
fala do cara que não pega a guria no veraneio
e passa o ano se masturbando. O show é
competentíssimo, melodias básicas
e assobiáveis, mas a guitarra solo estava
alta demais, passando do volume da voz.
Na quinta 20/11 tem Jady Ohana, P4F e Motel Flamingo.
Na quinta 27/11 tem Papai José, Smoking
Less e Freakazóide. Nunca ouviu falar de
nada disso? Nem eu. Por isso mesmo é que
vale a pena ir. Doe 1kg de alimento para o Fome
Zero (lá na Good Music, não leve
pro Jekill) e ganhe um ingresso.
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