MAJOR FOX – “ALGUMAS COISAS BOAS PRA LEMBRAR”

Por Eduardo da Camino

O CD “Algumas Coisas Boas Pra Lembrar” é um trabalho que diz a que veio. Direto. No talo. Isso não facilita a tarefa de explicar com caracteres numa tela aquilo que só se pode observar com os tímpanos, mas não deixa dúvidas do potencial da Major Fox. Sobre o nome da banda: no show do Good Music Rock Festival (leia a matéria), o vocalista Tiago disse o nome em português mesmo, “major”, a patente militar abaixo do tenente-coronel, e não “meidjôr”, termo inglês para “principal”.
E como é o som da MF? “Tequila Baby com duas guitarras e vocal dos Acústicos e Valvulados”, diria um idiota. Os timbres são esses, mas não basta dizer que chega a assustar a semelhança entre as vozes de Tiago e Rafael Malenotti. Tem que lembrar que as músicas têm várias caras (até harmonia de reggae aparece), graças à criatividade das mãos esquerdas nas guitarras.
Nem sempre dá certo, claro. E aí está o grande pequeno problema: falta passar um pente fino na estrutura das canções, que ficam às vezes confusas. É pequeno porque se soluciona com o tempo. É o dilema das limitações do hardcore: as melodias precisam ter cara própria sem perder a “assobiabilidade” e precisam ser assobiáveis sem ficar parecidas demais. É um fio onde a MF alcança o equilíbrio em “Quero Saber o Teu Nome”, que tem pontes diferentes no final dos refrões, e em “Tela de Cinema” e “1000 Estrelas”, que são o outro caso: uma construção harmônica básica – pena que a letra desta última seja tão fraca.
As letras, aliás, podem amadurecer um tanto. Alfinetando de leve: a MF canta “...quero que o vento a traga de volta aqui pra mim” em “Bons Ventos” e os Raimundos cantam “hoje o vento certo fez você voltar pra mim” em “Vento Certo” (música do disco Kavookavala). De modo geral, as letras “românticas” erram mais que acertam. O mais difícil eles fazem: linhas vocais surpreendentemente boas.
Nem tudo são espinhos. Vide a excelente “Bons Soldados”: “Qual é o seu Deus/Que ceifa as vidas assim/Agora apresento o inferno/Pessoalmente a você/Ganhar ou perder/Que os anjos da morte/vão se fuder”. Ou a agonia da faixa-título: “Mas se agora estou sozinho e eu sei/Melhor do que viver só pra tentar/Vencer quem nunca vai se entregar”. Aonde mais que o tal equilíbrio aparece bastante? Numa cançãozinha irritante de tão simples e funcional chamada “Versus”. Termina e dá vontade de ouvir de novo, mesmo com o erro de concordância no refrão.
O que também impressiona é a produção. Masterização cheia, boa de ouvir nos fones. Até na voz, a grande esfinge das gravações demo. Ouvir CD bem tocado e bem gravado (principalmente em POA) é uma alegria.
Em tempo: a Carol é tão gostosa assim?


CD demo – 14 faixas
Produção: Major Fox e Thomas Dreher
Gravado entre OUT/2001 e JAN/2002 no Estúdio Dreher
Contato: Paula – fone 9833-1517 <<www.majorfox.cjb.net>>

Major Fox:
Tiago Goulart (voz/guit)
Puro San (baixo/harmônica)
Franco Buffon (guit)
Rodrigo Monteiro (bateria)

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