ULTRAMEN NO OCIDENTE - 11/06/2003
Por Eduardo Da Camino
Fotos: Angela Pinto


FALANDO SOBRE NÓS
Chocolate. Não, eles não tocaram essa do Sebastião, tocaram "Johnny", que é a que aparece no "Olelê", tocado na ordem e na íntegra. Chocolate aqui é a gíria futebolística, sinônimo de vareio, bafão, goleada.
A Ultramen deu de ponta e talho num Ocidente lotado - demais, por sinal. Se eles não são super-heróis, o público teve que ser o homem-borracha, já que passou o show inteiro mascado pela falta de espaço até pra pensar. O que salvou a noite foi a excelência do set list.

Não é mole reproduzir ao vivo um disco com tantas vozes convidadas, tanta intervenção de DJ e tanto hip-hop - que não é algo que se possa cantar junto tão facilmente. Mas tirando a ausência (perdoável) de Gustavo Black Alien, a Ultramen soube trazer a profecia. Lá pelo final de "Peleia", Tonho celebrou ao microfone que "não é pouca coisa reunir todos esses trovadores", sem os quais não tem peleia nem "Esse é o meu compromisso". Nesta, porém, o que sobrou de volume na voz de Buiú faltou na declamação de Baze.
E o refrão sampleado (Earth, Wind and Fire) da faixa-título? Ia funcionar ao vivo? O discreto e competente DJ Anderson segurou muitíssimo bem. Tonho Crocco acabou entregando que o refrão foi a última coisa que entrou na música, elogiando o momento iluminado do Anderson, que fecha perfeitamente a

costura das três estrofes.
Outro detalhe importante: a base de "Dívida" tem três notas o tempo todo (não vamos dizer quais são) e a música é tudo aquilo. Música boa é música simples, porque no final das contas é mais difícil fazer muito com pouco. Mas não deve ser por isso que, segundo Tonho, "é só pra queimar o filme" que tem músicas do progressivo Rush na radioweb da Ultramen.
Já deve ter sido dito/escrito em vários lugares, mas vamos repetir: "Estrada Perdida" é uma maravilha também porque se trata de um raríssimo exemplo de música pop cabeça. Podia tocar em qualquer FM jabazeira e fala sério sobre ecologia. Eles estão falando sobre nós, sim senhor, e isso é algo cada vez mais raro no espectro em Megahertz.
Em tempo: pelo peso absurdo do arranjo, a Ultramen merecia a autoria de "Exodus".

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