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Clima de bar de jazz em noite rock and roll
no Oito e ½
Por
Daniel Bacchieri
A atmosfera levava a crer que os shows de quinta
à noite no Bar Oito e ½, em Porto
Alegre, seriam repletos de baladinhas românticas,
acompanhadas por intermináveis solos de
sax. Era o que se podia traduzir do astral do
ambiente, onde cerca de 100 pessoas circulavam,
grande parte acomodada nas dezenas de mesas espalhadas
no pub. Mas foi o rock and roll que subiu ao palco.
Com a proposta de mostrar sua pop arte conspiratória,
a banda Mundo de Warhol iniciou os trabalhos
misturando o britpop atual com influências
dos anos 80. Em praticamente
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50
minutos de show, o quarteto porto-alegrense
formado no ano passado despejou covers de
Oasis e Roberto Carlos, além de músicas
próprias, que vão estar no álbum
de estréia do grupo, com previsão
de lançamento até o fim do ano. Foi
uma apresentação correta, comandada
pelo vocalista Leandro Belloc, destacando "Você
Não Serve Pra Mim", em homenagem ao
Rei Roberto. Ah, e a balaca do baixista, com um
permanente cigarro de canto de boca ilustrando a
performance.
Escalados como atração principal da
madrugada, Os Jardineiros retornavam ao palco de
onde saíram vencedores da etapa de Maio da
Segunda Experimental - projeto que vem embalando
o início das semanas no Bar Oito e ½.
A mistura de rock psicodélico com letras
supostamente depressivas, mas carregadas de ironia,
serviu para reunir no setlist homenagens a Beatles,
Supergrass, Pink Floyd e Júpiter Apple Maçã.
A salada sonora foi aberta com Sequelado,
uma das faixas mais melódicas do grupo
surgido no curso de Psicologia da PUCRS, e já
bastante conhecido na cena universitária
da capital gaúcha. |
O
ecletismo das composições engloba,
além do rock lisérgico dos anos 60,
uma boa dose de grunge e até mesmo o concretismo
a la Arnaldo Antunes. É o que se nota na
pesada Pronunciamento (que lembra muito
Stone Temple Pilots) e no discurso de Homem
Privado. O lado mais pop e alto astral da
banda mostra as caras nos marcantes refrões
de Eu Não Sou Moderno e Alguém
pela Janela. A deprê se instala perfeitamente
na triste e esquizofrênica Júlia.
Mas o melhor da noite foi um surpreendente cover
de Eu e Minha Ex, de Júpiter
Maçã. A homenagem ao alter ego de
Flávio Basso não ficou devendo nada
ao original, ao mesmo tempo que ficou longe de ser
classificada como uma simples cópia. Era
o que faltava para provocar uma mudança positiva
no público, que enfim se despedia da atitude
excessivamente cool instalada no início do
show.
Por volta das duas da madrugada, o pedido de bis
foi a prova de que a comunicação tinha
dado certo. E a saída de cena reservou um
petardo. I Want You (Shes So Heavy),
dos |
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Beatles,
com generosas doses de agressividade nas guitarras.
Com o primeiro álbum em processo de finalização
está sendo produzido por Marcelo Fruet,
da Universo Colorido -, Os Jardineiros têm
se diferenciado do rock gaúcho atual pelo
peso nas letras e nas apresentações
ao vivo. E um dos grandes trunfos da banda é
a dificuldade em rotulá-la: não é
rock-engraçadinho, não é rock-cabeça.
É um estilo próprio, ainda em formação,
mas que soa honesto. Característica cada
vez mais difícil de ser apresentada no cenário
pop rock... |
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