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Replicantes
ao vivo. Bar Opinião, Porto Alegre,
02/04/03
Por
Tanara Araújo
Fotos
Angela Joenck Pinto
Com nada menos que 50 minutos de atraso
do horário oficial (23h), a banda
de hardcore "No Rest" iniciou
seu show de abertura para os Replicantes.
Apesar do interessante e corajoso atrativo
de ter uma garota, Aline Rodrigues, nos
vocais (pô, não preciso dizer
a garganta que exige ser vocal de banda
hardcore), a "No Rest" fica no
padrão. Suas letras se 'espraiam'
entre o inglês e o português,
lembrando uma mescla de Sepultura e Ratos
de Porão em suas respectivas primeiras
fases. No show, muitos foram os momentos
em que simplesmente não se entendia
nada do que era cantado (muito menos em
que língua), em função
de mais uma das leis do hardcore - a bateria
altíssima e em primeiro plano. E
quando se entendia, lá estavam os
temas recorrentes das letras do gênero:
sistema, injustiça, poder.
Sem surpresas, mas competente no que se
propõe a fazer, a "No Rest"
ainda contou com a vantagem de pegar um
público afinzão mesmo de 'bater
cabeça' e pogar. Mesmo provavelmente
não íntimo da maioria das
músicas da banda, os garotos (e algumas
meninas corajosas) não deixaram de
agitar e receberam a banda muito bem durante
seus 40 minutos de show.
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Às
00h40min, os Replicantes subiram no palco
do Opinião com estilo - a mais que
clássica "Hippie-Punk-Rajneesh"
é o tipo de música que faz
uma galera desconsiderar qualquer espera.
Tocada por uma banda ainda tímida
(Cláudio Heinz na guitarra, Heron
Heinz no baixo, Cléber Andrade na
bateria) e um Wander Wildner reservado,
"Hippie-Punk..." transformou a
platéia (ou pequeno mar de camisetas
dos Ramones) em um liquidificador humano.
A emenda ficou por conta de "O Futuro
é Vórtex", outro momento
lindo para os fãs de carteirinha
da banda, e a música nova "Falcatruas"
cujo recém-produzido clip foi apresentado
no telão minutos antes do show.
Foi
só então que Wander Wildner
soltou um 'boa noite', o que
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não
pareceu fazer muita diferença, afinal
o que o público parecia não
se importar com a falta de conversê,
queria mesmo era punk rock e mosh - a propósito,
parabéns aos valentes garotos que
completaram sua missão, pois a segurança
não tava dando 'mol'.
"Astronauta"
e "Pra ver se eu conseguia" mantiveram
o pique, enquanto o vocalista, já
aquecido e à vontade, dava os primeiros
sinais performáticos. Em "Eu
Quero é Mucra", sua imitação
de uma patricinha não ficou nada
a dever.
"Sandina" foi responsável
pelo 'momento torre de babel' do show: enquanto
o público urrava os versos em português,
a banda destrinchava a versão feita
em inglês.
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Não chegou a comprometer, até
porque eu tenho um grande palpite que a
maior parte do público nem notou,
ou se notou, nevermind!
"Boy do Subterrâneo", "Chernobyl"
e "O Banco" seguiam de trilha
sonora para um incansável público
(sim, eles continuavam o tal liquidificador
no mesmo ritmo). A loucurada só deu
um tempo durante a versão para a
linda "Killing Moon" (do Echo
& The Bunnymen), ou o que os Replicantes
batizaram de "A Lua que Mata".
As pilhas da platéia se renovaram
com "Só mais uma chance".
Na seqüência, a versão
para "Califórnia Sun" fazia
feliz aqueles que optaram pelo modelito
básico da noite. "Surfista Calhorda",
uma das mais esperadas do set-list, ainda
conseguiu piorar as coisas (ou melhorar,
dependendo de que lado do palco você
está). "...É mas quando
entra n'água, é, na primeira
braçada..." virou um uníssono
bem bacana. Durante a música, Wander
surfa numa prancha imaginária. A
essas alturas, a banda permanecia discreta,
mas não menos competente. Já
o vocalista havia rolado no chão,
feito carinhas e caretas, se escondido atrás
do amplificador imitando um soldado se rendendo
através de uma bandeira (toalha)
branca, dançado pelo palco...Johnny
Rotten agradece o reconhecimento!
Mais
doideira só mesmo no final. "Festa
Punk", a última do show oficial,
pareceu ser a música mais esperada
da noite - o liquidificador transformou
o público daqueles meninos que, no
mínimo estavam no útero de
suas mamães quando a canção
foi lançada, em uma papa feliz. No
bis, os Replicantes não puderam deixar
de atender mais um pedido da galera: "Nicotina,
nicotina, entra no meu pulmão, corre
nas minhas veias, mata meu coração".
Foi mais bacana que o encerramento propriamente
dito, com "Go Ahead". Quem viu
(como eu), saiu bem faceiro por presenciar
uma 'lendinha viva' do rock gaúcho
em muito boa forma. Já quem pulou
e enlouqueceu, o Musicatri tem três
observações a fazer.
Primeira: se você é
daqueles fumantes que não pode deixar
de acender um crivo, especialmente num show,
deixe para fumá-lo num canto mais
calmo e não no meio da galera ensandecida
(já pensou levar uma cigarrada no
olho por acidente???).
Segunda: Garotas, é bom pensar
três vezes antes de se meter no tal
liquidificador, caso tenham vontade futura
de amamentar seus filhos.
Terceira: aguardemos a volta dos
Replicantes da Europa para outras festas
punks.
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