O diabo é o pai do rock
Rosa Tattooada - "Carburador"
Marcio de Almeida Bueno
Pois o Rosa Tattooada, que tinha encerrado suas atividades há alguns anos, após o disco "Devotion", volta agora em grande estilo, como um trio.
Jacques Maciel, vocal e guitarra, Beat Barea, baterista, membros fundadores, e o novo baixista Rodrigo Maciel, irmão de Jacques, compõem um Rosa Tattooada mais enxuto, menos glam, mais estradeiro e pesado, mais pra Hell Angels do que pra pouser anos 80, lado-a-lado com belas baladas esotéricas/psicodélicas. Estranho? Nem tanto, a maioria das composições é assinada por Antônio Augusto Fagundes Filho, sozinho ou em parceria com Jacques Maciel.
Para quem não se ligou no nome, o cara é filho de Antônio Augusto Fagundes (não diga) e, como ovelha negra da família Fagundes, é um renomado demonólogo, autor do "Livro dos Demônios" (recomendo a leitura, independente de orientação religiosa), que lhe valeu até entrevista no Jô Soares.
E o cara é um bom compositor, deu uma renovada no conteúdo da Rosa Tattooada. Teclados bem encaixados dão o molho para o som do trio. Uma volta por cima. 1 - "Carburador" - não se engane com a introdução eletrônica, o som é super-pesado, com vocal gutural, remete a Motorhead e Nashville Pussy.
2 - "Viajandão" - outra pesadona, vocal bem calcado no Kiss.
3 - "Diamante interestelar" - a primeira das belas baladas do disco, é um meio-termo entre as lentas do Kiss dos anos 70 e as baladas dos Cascavellettes.
4 - "Poção" - bons riffs (Jacques está se segurando muito bem assumindo todas as guitarras do Rosa), excelente refrão, vocal caprichado.
5 - "Fora de mim, dentro de você" - metalzão, AC/DC e congêneres, rebeldia adolescente, refrão bem sacado, um dos muitos prováveis novos hits da banda.
6 - "Miragem" - violões, talvez a mais comercialzinha do disco, tecladinhos no função. Refrão chicletudo, lembra Nei Van Soria.
7 - "Gatinha tarada" - super chiclete, hard galhofeiro, com refrão infame mas irresistível.
8 - "Dance em mim" - outra intro eletrônica mas não se engane. Vai na linha de Motorhead, bem elaborada.
9 - "Simples como a noite" - outra candidata a hit, balada pesada e melancólica.
10 - "Cama de arame farpado" - climática, lembra Kiss das faixas mais obscuras.
11 - "Não espere eu misturar" - pesada, letra de terror, refrão bem grudento, das melhores.
12 - "Por quanto tempo mais" - riff com efeito, lembra muito o hard rock dos anos 80.
13 - "Quando eu morri" - uma das melhores, tem um clima claustrofóbico sensacional, vai na linha de "Soul Stripper" e "Jailbreak" de AC/DC, época que a banda australiana tinha um lado mais road song.
14 - "O inferno vai ter que esperar" - faixa bônus, uma regravação do
maior sucesso do Rosa no passado, agora em versão acústica. |