Quando a Estética do Frio é esfregada sem dó nem piedade na sua cara

Por Angela Joenck Pinto

Estava eu conversando via Internet com um colega jornalista de São Paulo. O distinto colega em questão, amigo de longa data, é responsável pelo setor de cultura de um grande portal brasileiro de informação e serviços. Uma pessoa de grande conhecimento da área musical, interessada e empenhada na sua profissão.
Conversa vai, conversa vem, e entra o assunto dos shows internacionais que tanto eu quanto o meu amigo mais assistimos durante nossas vidas de jornalista. Eu citei o Fito Paez como provável nome estrangeiro cujo shows mais presenciei. Qual não é a minha surpresa quando a resposta que recebo é que o colega lá do centro do país não conhecia o trabalho do compositor argentino.
Momento "pára tudo!".
Não é possível! - pensei. No último show de Fito em Porto Alegre, impediram que o artista saísse do palco sem pelo menos 3 bis! Ele foi aplaudido de pé por minutos a fio e o público sabia todas as canções na ponta da língua. O local estava lotado. Foi recebido como verdadeira estrela, coisa que ele, pelo menos no Rio Grande do Sul, é.
Mas só no Rio Grande do Sul.

Foi quando o assunto mudou um pouco para a apresentação que Vitor Ramil fez com seus irmãos Kleiton e Kledir no Teatro da Ospa no dia 3 de agosto. Adivinha só? O colega não sabia quem era Vitor Ramil. Nunca tinha ouvido falar. Kleiton e Kledir sim, "aqueles do Deu pra Ti". Mas parou por aí.

Você acha que a culpa da desinformação daquele profissional recai somente sobre a sua própria falta de interesse?
Não mesmo!
Tá certo que o People and Arts fica reprisando os especiais de gente como Fito Paez e Charly Garcia "ad nauseum", mas a obrigação de divulgar estes nomes é dos selos, das gravadoras, das pessoas que alimentam as redações de informação. E é muito difícil que informações sobre esses artistas cheguem aos ouvidos da grande imprensa do centro do país.
Seja pelo preconceito, seja pelo sotaque, seja pela falta de jabá, seja por todos estes motivos combinados.
E então a Estética do Frio se abriu sem dó nem piedade na frente dos meus olhos.
Artistas consideravelmente famosos "aqui", não são ninguém "lá".
Mas todo mundo que é alguém "lá", é alguém "aqui".
Sim, a balança continua pendendo para um lado. E pelo visto, a era digital do mp3 e da troca super-rápida de informação ainda não fez nada pela divulgação destes e de muitos outros nomes.
Mas a discussão sobre as razões de isso acontecer já foram discutidas em demasia. É aquela coisa: um mercadinho "auto-suficiente" e orgulhoso que mantém o ouro pra si, enquanto um todo-poderoso qualquer descobre o potencial financeiro de um manufaturado qualquer. Sempre descartável.
Se você mora "no fim do fundo da América do Sul", é hora de repensar - novamente - sua técnica de marketing.

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