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Passando
a Régua: bandas do Rio Grande do
Sul em 2001
O mercado de música no Estado foi
agitado neste ano que está terminando.
Rolaram lançamentos de nomes já
consagrados e de estreantes que vieram para
ficar.
Muitas demos de qualidade também
chegaram aos ouvidos do público,
através das rádios que estão
dando uma força para o som feito
na terrinha.
Conjuntos como Acústicos e Valvulados,
Nenhum de Nós, Comunidade Nin Jitsu
e músicos como Nei Lisboa continuaram
com a carreira de sucesso lançando
discos bem recebidos.
No caso do Acústicos e Valvulados,
melodias que grudam no ouvido e uma grande
variedade de sonoridades fez com que a banda
ganhasse um público maior por todo
o Brasil. O Nenhum de Nós, depois
de discos em selos menores, lançou
"Histórias Reais, Seres Imaginários".
O trabalho foi bem recebido em comparação
com os o lançamento anterior, "Paz
e Amor", e teve clipe divulgado em
todos os grandes veículos de comunicação.
A Comunidade, mantendo todo o bom homor
de "Broncas Legais" chegou com
"Maicou Douglas Sindrome" (o título
é algo!). Continuam entre os preferidos
da galera para agitos e festas.
Nei Lisboa aproveitou 2001 para lançar
um disco novo ("Cena Beatnik")
e o seu site. Tudo, como sempre, de muito
bom gosto e com muita inteligência.
É o tipo de artista que não
interessa se o tempo passar, ele vai continuar
tendo um público de várias
faixas etárias. Eu não vou
cair no clichê de dizer que "é
como vinho, e quanto mais velho melhor..."
e tal, mas é que o cara tem dignidade.
Ele sabe que não tem mais 17 anos
de idade. E é ótimo ver que
a gente tem um artista com um trabalho tão
maduro quanto ele próprio. Também
é o caso de outros, como Vitor Ramil
e Arthur de Faria (que teve o seu disco
de 1996, "Música Pra Gente Grande",
relançado este ano por um selo de
São Paulo). A questão não
é somente ter consciência da
própria idade e trabalho, mas também
não menosprezar a inteligência
do público jovem, que não
quer saber somente de festinhas, namoricos
e afins. Afinal, a vida não só
isso.
No rock, ainda teve a Bandaliera com "Bye
Flowers" (e a ótima canção
Desabrigado), o punk dos Replicantes com
"A Volta dos que não Foram"
e Wander Wildner, com "Eu sou Feio,
mas Sou Bonito".
A Bandaliera representa tudo de clássico
que existe no Rock and Roll. Se existe aquele
termo "Reggae de raiz", deve ter
também o "Rock de raiz".
E a Bandaliera é isso, definida alguma
vez como "uma banda bem Porto Alegre".
Replicantes talvez seja o nome mais sólido
do punk rock nacional hoje em dia e carregam
um público fiel para onde quer que
a banda vá. Os shows continuam absolutamente
intransitáveis e a chinelagem continua
sendo a arma da banda. Letras diretas e
variação limitada de acordes...afinal...são
punks.
Wander Wildner seguiu sua carrera de "punk-brega"
com letras inteligentes e que chamam a atenção
do público quanto a suposta "beleza"
padronizada dos dias de hoje.
As
bandas que apareceram em 2001 foras as ótimas
Video Hits e Cachorro Grande. A primeira,
capitaneada por Diego Medina, traz aquela
fórmula infalível: "Jovem
Guarda + guitarreira". É uma
música leve e divertida, feita por
um pessoal legal, boa gente e despretensioso.
Injustamente associados com a Bidê
ou Balde pela imprensa "especializada"
do centro do país, ficaram presos
no estereótipo de "banda do
Rio Grande do Sul". Se tiverem sorte,
vão sair dessa. Até porque
não tem nada a ver ficar comparando
as duas bandas. São tão diferentes
quanto o dia e a noite.
Ah...a Cachorro Grande. Eles sim, com todo
o respeito, são foda. Trabalharam
pacas nesse ano que passou, lançaram
um disco de estréia que não
poderia ser melhor em nada. Assumidamente
sixties, eles pegaram tudo de bom que tem
em uma discoteca 1963-1979 e levaram pra
cima do palco. E eu não estou falando
de Bee Gees e Eagles. Se eles não
fossem tão bons, eu diria que só
quebram os instrumentos para chamar a atenção
do público. Mas não é.
A música dos caras se segura sozinha
e eles quebram tudo porque eles podem!!!!
Dos CDs demos legais que apareceram, vale
dar destaque para a winston com "Herói
Invisível" e a Gramophones com
"Naquele elevador/Hunter Thompson".
Fato mais impressionante do ano: A Graforréia
Xilarmônica se apresentou mais uma
vez, em um momento especialíssimo,
no festival Upload (SP).
Frank Jorge comentou comigo na festa do
Musicatri (outro evento legal que rolou
no ano :-)) que ficou impressionado de ver
como as pessoas se mobilizaram para ver
a Graforréia. Tinha gente fretando
ônibus, viajando horas e chorando
muito só de ver os caras. Realmente
histórico.
Então, para encurtar o que já
está longo: Muita gente lançou
material em 2001. com uma produção
tão grande, dá pra se perguntar
como será o ano que vem...Mais música?
Frank Jorge já está com um
novo CD praticamente pronto e boatos dizem
que 2002 vai ser o ano de lançamento
de um disco do mestre Fughetti Luz. é
esperar pra ver
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