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2ª
Maluca Ao Vivo
Por Márcio de Almeida Bueno
Então
tá, o cd '2ª Maluca Ao Vivo'
é um registro das apresentações
de algumas bandas gaúchas em Atlântida,
no verão 2002/2003. O projeto, diga-se,
é aquele que põe pra tocar,
atualmente no Manara, grupos do RSRock e
estilos afins. De maneiras que o pessoal
se transferiu pra praia - já que
Porto Alegre fica deserta no verão,
ainda bem - e o troço acabou rolando
no The Front, devidamente bem gravadinho.
Como diz a divulgação, "oito
bandas representando tantas outras que passaram
pelo projeto". |
| O
legal é que uma iniciativa assim ganha
seu registro sonoro, ao contrário de
outras que somem e só permanecem na
memória dos participantes e/ou fãs
maluquinhos como a gente. Quer dizer, dá
pra comprar o cdzinho na boa e ter em casa,
não é aquela coisa tipo "ah,
o saudoso madame satã", "aquela
vez no oci em 83", "o garagem reuniu
etc", "o circus trouxe a porto alegre
não-sei-quem", "bom mesmo
era a lancheria alaska", etc. Agora é
preto no branco, não fica no esquecimento
nem vira heróico demais, depois de
décadas de boca-a-boca. A cidade teve
dezenas de eventos permanentes, passageiros,
reuniões, cooperativas, shows coletivos
e tal, nada mais justo que a facilidade da
tecnologia atual trazer esses momentos para
dentro do nosso minisystem, mesmo que comprado
no Paraguai. No mais é aquele esquema
típico, todo mundo toca na banda de
todo mundo, o outro produz, aquele outro já
tocou com meia Porto Alegre. Tá valendo. |
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1
- Frank Jorge - Cabelos Cor-de-Jambo - O disquinho
abre com o ie-ie-iê acelerado do ex-Cascavelletes,
ex-Graforréia e ex-dezenas-de-bandas-e-outras-agremiações.
Jóia, bem grudento, não dá
pra ignorar e deixar de cantar junto. E o
final já emenda com
2 - Frank Jorge - Vou Largar A Jovem Guarda
- O cara nem respira e já toca essa,
bem no padrão A Hard Day's Night, com
uns riffs bem encaixados. "(...)Vou lançar
o meu disco e ser mais feliz", bem nessa.
3 - Fu Wang Foo - Domingueira - Epa. 'Moby
Dick'? Cortesia do guitar hero Marcelo Truda,
que já passou por Taranatiriça,
Defalla etc. No mais, é um funkzinho
peso-pena com letra 'consciente' e alguns
palavrões de plástico.
4 - Fu Wang Foo - Combo - É a mesma
música? Parece um pouco melhorzinha,
mas ainda fica no estágio sub-Frank
Jorge.
5 - Cuidado Menina - Calafrio - Por trás
do nome, está a cantora Izmália,
aquela de 'Eu quero ser sua Sônia Braga',
entre outros quase-hits portoalegrenses. Rock
pesado com toque pop, muito bem tocado e produzido,
lembra hard rock americano, no bom sentido.
6 - Cuidado Menina - Alguém Mais Importante
- Uma das melhores do disco. A música
gruda na cabeça e não sai de
jeito nenhum, especialmente o refrão.
Ouça e fique lesado por alguns dias.
Dá pra ver que o pessoal sabe o que
faz e onde quer chegar. E Izmália está
se libertando do estilo cantora-de-barzinho-e-de-jingles,
o que só faz bem à alma.
7 - Bataclã F.C. - Quem É Dos
Meus Vem Junto - Confesso que nunca tinha
ouvido. Me pareceu uma espécie de Farofa
Carioca ou Skowa & A Máfia, tão
ruim quanto. A letra é tenebrosa, e
o vocal parece de ator de teatro. Não
tem cara de banda gaúcha, e não
sei se isso é bom ou ruim.
8 - Bataclã F.C. - A Balada Certa -
Um Jota Quest com complexo 'de gaúcho',
como dizem os de outros Estados. A letra parece
das músicas da Fernanda Abreu, com
patrocínio da Secretaria de Turismo,
tipo o cara fica obrigado a citar pontos turísticos
na música, e tal. Idem acima.
9 - Wander Wildner - Bebendo Vinho - Essa
já é clássica, e bem
melhor que a versão do Ira!. E ainda
tem o Jimi Joe fazendo os comentários
jornalísticos na guitarra.
10 - Wander Wildner - Eu Não Consigo
Ser Alegre O Tempo Inteiro - A melhor do disco,
sem dúvida. O velho Replicante interpreta
esta bela canção de maneira
irrepreensível, a não ser para
os fãs de Dream Theater. Simples e
eficiente, não é fácil
alcançar, precisa suar muito.
11 - Arnaldos - Outros Carnavais - Pulou da
Tropicália para Atlântida, com
barulhinhos a cargo de Astronauta Pingüim.
Vira samba de repente, tá naquele esquema
atual do Los Hermanos.
12 - Arnaldos - Tu É O Fogo - Mais
ou menos.
13 - Da Guedes - Poa - Legal, bem movimentada
na troca de vocais, mas ainda assim inferior
à versão de estúdio,
que tem um clima claustrofóbico profissa.
14 - Da Guedes - Minha Cultura Hip-Hop - Rap
com refrão soul, e grande participação
da platéia.
15 - Zé do Bêlo - Rato de Buteco
- Fiel à versão de estúdio,
com solo de sax bem encaixado, do ex-Garotos
da Rua King Jim, ou 'Quindim', segundo Zé
do Bêlo. Samba dos bons, e olha que
'samba' hoje é palavrão.
16 - Zé do Bêlo - Reprise - A
balada obrigatória, a melhor composição
do Maurício, digo, do Zé do
Bêlo, tá com um ambiente romântico
legal, tipo Baile dos Coroas às 4 da
manhã. Linda música. "-Climão
hein meu bruxo?", e acaba-se o cd. Um
beijo na bunda e até segunda. |
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