Sul Music

Por Márcio de Almeida Bueno


Esse disquinho veio junto com a revista Trip número 77, aquela que tem uma entrevista com o João Gordo depois que ele teve um troço e quase morreu. Dá pra achar nos encalhes da vida. A Trip andava numas de fazer uns cds conceituais, na época, e várias bandas do RS tavam subindo, tipo Video Hits, então essa coletânea apareceu no momento certo, há uns anos atrás. E ainda ensinava a preparar o chimarrão. Esqueça a faixa 'interativa', é tão interessante quanto os cds da Uol.

1 - Defalla - Melô Da Popozuda - O cd abre com o infame hit do Defalla na época do Miami Rock, mais uma vez quase estourando a banda. Mas a mistura de Ac/Dc com Lacraia tem seu valor.
2 - Piá - Meu Parceiro - O Piá, ex-Junior, é uma espécie de embaixador do rap em Porto Alegre, e essa faixa ainda traz o Hique Gomes no violino, sem dúvida a música se sustenta sem a letra, pra quem não gosta do estilo
3 - Flu - Cantando & Brincando - Leve semelhança com Dj Towa Tei, aquele japonês que tocou no Dee Lite. O Flávio Santos foi baixista do Defalla durante uns 200 anos, e na sua carreira solo meteu o pé na bossa-eletrônica. Parece um estrangeiro tocando música brasileira.
4 - Jupiter Apple - Welcome To The Shade - Uau, que música. Todo mundo odiou o segundo disco do Júpiter Maçã, mas poucos ouviram. Esse som é maravilhoso, quem gosta de Easy Listening, Simon & Garfunkel, Shirley Bassey e tal não tem como não gostar. Parece um jazz latino cool de 1971, com interpretação irretocável. O pessoal do "toca Lugar do Caralho" que vá pro caralho.
5 - Tom Bloch - Nossa Senhora - Detalhes eletrônicos e samplezinhos misturados a um rock simples, eis aqui a banda do filho-do-Luis-Fernando-Verissimo. A letra parece ser legal, mas não dá pra entender nada, só o refrão.
6 - Da Guedes - Poa - Rap que dá pra ser levado à sério, com letra realista e sem heroísmo. Clima claustrofóbico geral, parece mesmo que o cara tá no centrão de madrugada, ali na Borges com a Salgado. Brrr.
7 - Projeto Hyper - To Be Free - Mais um rebento do filho-do-Luis-Fernando-Verissimo. Uns violõezinhos e uns barulhinhos. Belle & Sebastian demais pra ser levado à sério. O próximo, por favor.
8 - Fu Wang Foo - Soltando Os Cachorro - Ótimos riffs, cortesia do ex-Defalla Marcelo Fornazier. A letra até é legalzinha, mas às vezes a 'aí malandragem' fica um pouco forçada.
9 - Ratão - Zé Macachero - Mesma linha de som, mas mais descontraído. Leva um ponto pela despretensão, o ex-Justa Causa.
10 - Video Hits - (Vo) C - A melhor do disco, essa faixa realmente é um momento de lucidez e acerto, tá tudo no lugar, não tem o que melhorar. Parabéns aos rapazes.
11 - Wander Wildner - Quase Um Alcoólatra - O piano da introdução parece de churrascaria, é tão ruim que dá um toque sensacional à música. Belo refrão, tá acertando em cheio na linha punk versus brega. Wander traz a tradição e imaginário do cancioneiro urbano corno e/ou fudido, dos anos 50 e 60, para o rock três acordes.
12 - Ultramen - Bico De Luz - Ultramen na sua faceta funk, bem swingada, com umas guitarras heavy e participação da cantora aquela da Hard Working Band.
13 - Tequila Baby - Velhas Fotos - Super-chiclete esse som do Tequila, e a letra tá legal, surpreendentemente.
14 - Os Replicantes - Go Ahead - Hardcore honesto d'Os Replicantes, com Gerbase nos vocais. Apesar do título é cantado em português, mas não dá pra entender nada.
15 - Acústicos & Valvulados - Até A Hora De Parar - Rockzinho médio adolescente, mas não é de todo mal. Bubblegum total.
16 - Comunidade Ninjitsu - Melô Do Analfabeto - Uma espécie de Cyrano versão pancadão carioca, com produção de Edu K. Recomendado para crianças acima de 8 anos, por conter partes pequenas que podem ser engolidas.
17 - Cowboys Espirituais - Jovem Cowboy - Essa é jóia, fusão perfeita do country rock do Júlio Reny com o rap do Piá. Na época o supergrupo gaúcho contava com Frank Jorge, substituído no último disco pelo ex-TNT Paulo Arcari. Não dá pra não gostar. A voz de Júlio tá sensacional.
18 - Os The Darma Lóvers - Sweet Lama - Tem que ter culhão pra levar uma música só na voz e violão, ainda mais se você não for o João Gilberto. Música frágil e bela, com a dupla cantando sua fé com fé, não parece forçado. Bom.

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