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Com
muitas bandas e parcerias rolando ao
mesmo tempo, Plato Divorak não
tem medo de ser chamado de agitador
cultural. Figura cult dos bares
de Porto Alegre, influenciado por sons
distintos como The Doors, John Coltrane,
MIJ, Them, Raul Seixas, Van Morrison,
Liverpool e muitos outros, organizador
no evento Monterrey Popstock Festival
(que já teve duas edições),
parceiro de Frank Jorge em muitas músicas,
Plato pode realmente ser chamado de
agitador.
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Com
o Cd promo "Plato Divorak e os
Sha-Zams" lançado pelo
selo independente Krakatoa Records
já rolando no Rio, São
Paulo, Salvador, Belo Horizonte e
Curitiba, Plato mantém contatos
com o pessoal do país inteiro.
"Lojas do Ceará, o pessoal
de Salvador que nos ajuda, a banda
The Charts, de São Paulo, a
banda Violeta de Outono, que me ajudou
com publicações internacionais,
são os contatos que eu tenho
desde os anos 80". Com os pés
no chão, Divorak sabe da dificuldade
de lançar trabalhos independentes
em um mercado como o brasileiro: Eu
não iria lançar um CD
independente que não fosse
uma coisa que me desse lucro. "Tem
letras em inglês e tudo mais"
diz ele. "Eu procuro mostrar
os fatos do Rio Grande do Sul de uma
maneira bem engraçada. "
Como
a Graforréia Xilarmônica,
companheira de batalha de tantas outras
bandas do Sul, Plato acha que há
uma tendência da mídia
em falar mal do trabalho feito no
nosso Estado. "A mídia
gosta de falar mal da Graforréia,
por exemplo. Essa é uma coisa
que o Frank (Jorge) comenta bastante
comigo". Mas Plato não
é mais uma criança enredada
nas tramas do show business. Já
se apresentou em vários estados
do Brasil com seus diferentes projetos.
Esteve em São Paulo com a banda
Pére Lachaise (nome dado em
homenagem ao cemitério onde
se encontra o túmulo de Jim
Morrison), um sucesso do ano de 1991,
aproveitando o lançamento do
filme The Doors. Plato brinca: "Aproveitamos
a badalação! [risos].
A gente tocava Television,
um som junkie da virada dos anos 80,
Echo and the Bunnyman."
Os
artistas do underground se ajudam,
segundo Divorak. Ele dá o exemplo
da banda The Charts, que divulga seu
trabalho em São Paulo, enquanto
Plato espalha o trabalho da banda
aqui no Sul. "São bandas
que se unem, como a Reles Pública
de Curitiba. Tem sempre matérias
sainda sobre a Lovecraft (outro projeto
de Plato, que atualmente está
parado), Charts, esse som que tem
a ver com os anos 60. As bandas se
unem por ideologia ou por estilo.
E eu, como gosto do som de todos elas,
mantenho contato."
Mas
nem tudo são flores na comunidade
feliz do rock gaúcho. "Uma
banda no sul, tocando só aqui
no Rio Grande do Sul faz mais sucesso
e tem muito mais público do
que em São Paulo. Às
vezes tu vais até São
Paulo e o pessoal não está
nem aí, e as tribos são
muito variadas. Um cara que é
heavy metal gosta só de metal,
o cara que é mod gosta só
de mod. Aqui no Sul as cabeças
são mais abertas. Tu sentes
isso indo nos lugares. É que
nem em Aracajú, esses outros
locais. Eu toquei lá com um
pessoal só com violão
e bateria eletrônica e todo
mundo gostou. Tu acabas conhecendo
a cena local de perto."
Com
a exportação de canções
do Nordeste patrocinadas pela grande
mídia, neste espaço
ainda fazem cara feia para os sons
gaúchos. Mas Plato diz que
no underground a coisa é outra:
"no patamar do underground todo
mundo é interessado em tudo
que aparece. Os caras querem que as
coisas dêem certo. Eu sou um
desses caras. A gente faz amizade
e não é só no
Nordeste. O underground rola na América
latina, nos Estados Unidos. As pessoas
se tornam amigas e às vezes
não é nem pela música,
mas por cinema, teatro, sei lá...
A gente troca material, releases ingleses,
CDs, e às vezes você
recebe um retorno até maior."
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As
previsões para o futuro são
boas. Plato Divorak acha que o rock
brasileiro nunca esteve tão
unido quanto agora. "Como o esquema
é muito pequeno e o pessoal
não tem meios, não dá
para mandar uma banda de quatro caras
para tocar no Mato Grosso, então
vou eu sozinho e eles pagam hotel,
e tudo mais. Aproveito para fazer
o meu show. No underground é
onde as coisas rolam mesmo. Hoje tem
lugar pra qualquer tipo de produção.
Nos anos 80 isso jamais aconteceria".
Agora
Plato está com o projeto Momento
68, com shows já agendados
em São Paulo e Curitiba no
mês que vem. Participam da banda
o guitarrista Sandro, a baixista Verônica
(Liquid) e o baterista Gregor (Spectrus).
"Este ano ainda vou fazer a terceira
edição do Monterrey
Popstock Festival e vou trazer a Momento
68 para Porto Alegre". A banda
de Divorak que está na ativa
neste instante é a Plato Divorak
e os Sha-Zams. "Com esta banda
nós estamos ensaiando com uma
nova formação, que é
Dante Jr (baterista), Pingüin
(teclado), Airton (guitarra). O disco
já está pronto e foram
prensadas mil cópias. Através
de uma cooperativa, o lucro de CDs
de outras bandas financiam novos trabalhos.
É o caso desta banda, que mês
que vem (se tudo der certo) terá
seu disco lançado."
Quanto
a Lovecraft, Plato diz que produziu
um Cd chamado "Através
do Arquivo Púrpura", que
pretende lançar como segundo
álbum da banda. Inovador, o
trabalho trará até mesmo
flautas andinas.
A
parceria "Plato e Frank"
está com uma música
nova, chamada "Anedotário
Brasilianista". Dezoito das vinte
faixas gravadas no verão de
1997 foram escolhidas para o trabalho
da dupla. Formada em 1993, se definem
como música folk e tem no violão
seu instrumento principal. Já
em 1995, Plato Divorak e Frank Jorge
formaram outra banda, a Empresa Pimenta,
com Régis Sam e Gésner
Mess. Sem ensaiar, tocam seus pops
de primeira linha pelos cantos de
Porto Alegre.
"O
importante é fazer o que se
quer". E Plato é um cara
que leva para frente tudo que quer.
Entre
em contato com o selo independente
Krakatoa Records:
Caixa Postal: 517
Agência Central
CEP: 90001-970
Porto Alegre / RS / Brasil
Para
contato direto com Plato Divorak,
escreva para platodivorak@zipmail.com
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