Paulo James
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Como vocês já souberam, os Acústicos e Valvulados estão em Belo Horizonte gravando disco novo. Em meio aos seus muitos afazeres, o baterista e compositor Paulo James encontrou tempo para responder às perguntas do MusicaTri.

Homera Cristalli

Depois do sucesso do disco mais recente do Acústicos, qual a expectativa para o que vocês estão gravando? Não estão se sentindo um pouco pressionados?
- A única pressão que rola - e é positiva - vem da própria banda. Naturalmente a gente cresce, aprende, e quer ver isso refletido no trabalho, somando algo ao que já fizemos, e não apenas repetindo. Curtimos muito as músicas novas, que ficaram fortes, tanto em termos de sonoridade quanto de letra. Agora só estamos na pilha de ver tudo pronto, com todo o trabalho de estúdio em cima, que tá ficando fodido.


A sonoridade do próximo disco vai ser parecida com a do anterior? Quem está produzindo?
- Quem tá produzindo o trabalho são dois caras do Skank, o Haroldo, batera, e o Henrique, tecladista.
De fato, tá rolando uma sintonia legal em relação à sonoridade pretendida. Tá se valorizando, de maneira bem intensa, as influências 'acústicas' e 'valvuladas', tirando dessas fontes o que é direto e forte, tanto na execução quanto nos timbres. O disco, no geral, vai ser mais no gás que o último. Mais 'valvulado' do que 'acústico'.

O disco está sendo gravado no estúdio do Skank. Vocês são amigos da banda, eles vão participar das gravações?
- O contato com eles tá num clima bem autêntico. Nos encontramos lá em Santa Catarina, num show conjunto, e bateu a idéia da produção. A gente se interessou e eles também. Os caras são tri gente boa, na paz, e tão muito envolvidos no projeto, conhecendo os sons, atuando, sugerindo, o que é fundamental. Não sei se vão tocar algo ou não...o principal são as idéias de arranjo e concepção que eles tão trabalhando. O último CD deles ficou massa. Tem um clima muito a ver com o que curtimos. Muita melodia, Beatles pra caralho. A gente tá gravando no estúdio em que eles fizeram esse CD, aqui em Minas Gerais, que oferece uma estrutura ao mesmo tempo relax, por ser caseiro, e profissional, pela qualidade dos equipamentos. E todo mundo tá nos recebendo muito bem por aqui, na parceria.

Você é o principal letrista do Acústicos & Valvulados. Na parte musical você imprime um estilo também?
- Olha, a banda tem certas características definidas. Gostamos do lado da melodia e do lado mais roqueiro, do 'punch' e da distorção. Então, quando faço um som, ele naturalmente vai pra esse clima, sem ter que pensar muito no assunto. É o que se escuta em casa e é o que motiva a gente a tocar.

Na hora de compor, quem define o formato final das músicas?
- Pois é...com os Acústicos acontece assim: eu levo o som já feito na viola, música e letra. Daí o Rafael busca o tom mais bacana pra voz dele e começamos, todos juntos, a fazer o arranjo em estúdio. Na hora de compor rolam parcerias também. Nesse disco tem uma com o Móica, o cara das guitarras-solo, outra com o Serginho Moah e duas com o Luciano Albo. Os caras lançaram melodias, eu acrescentei umas notas e coloquei as letras.

Você é formado em jornalismo. Tem projetos nessa área?
- Não. Na prática, só uso o que aprendi em lances da banda, e nem penso em fazer mais nada, até por falta de tempo. Mas o jornalismo é base forte pra música que faço hoje. Ajuda muito no entendimento do que acontece em volta, no dia-a-dia, e isso se reflete nas letras e em diversas outras escolhas, que definem por onde se vai e de onde se quer distância.

Quando começou a tocar? Teve alguma banda antes do Acústicos?
- Eu fiz parte da banda 'Os Rebeldes', lá por 90, 91. Era a banda de um dos meus irmãos. Rockabilly direto...festa e festa. Logo em seguida começamos com os Acústicos, onde a galera se encontrou e segue até hoje.

Toca algum instrumento além da bateria?
- Violão, o suficiente pra compor os sons.

O site dos Acústicos foi um dos primeiros entre as bandas gaúchas. Você curte Internet?
- Sim. É uma puta fonte de pesquisa, chalaças e um meio de comunicação rápido e razoavelmente barato, ao menos de madrugada. Nunca pensei que ia falar com tanta gente na vida. Se fosse pra passar fax, ou escrever carta, não fazia.

Você usa o Napster ou seus assemelhados?
- Direto. Concluí que o Napster é uma versão altamente avançada daquela função de trocar fitas e discos que acontecia nos anos 80, e depois com os CDs a partir dos anos 90. Lembro que era foda de conseguir certos sons. Daí alguém descolava uma fita das mais chinelonas, cheia de ruído, e lá ia todo mundo copiar nos tape-decks. Agora, na Internet, tu clica o nome da banda em questão - velha, nova, pop, underground - e consegue ouvir na boa. E os caras das majors tentam inibir esse processo, argumentando que há prejuízos relativos aos direitos autorais...quer dizer, se trocar MP3 é cambar direito autoral, alugar CD, emprestar vinil e cassete e gravar música de FM também é.


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