Kleiton e Kledir
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Pergunta: Qual foi a maior diferença que a dupla sentiu quando se lançou em > carreira > >solo (fora dos Almôndegas)?
Kleiton -
Kledir e eu estivemos sempre juntos desde a infância, tanto no lazer como mais tarde na vida profissional. Logo, a maior dificuldade que eu senti foi exatamente estar só para enfrentar as dificuldades e não tê-lo ao lado para dividir a parte boa, os muitos momentos de prazer que a vida artística proporciona.

Pergunta: Como a dupla analisa a cena musical do Rio Grande do Sul?
Kledir -
O RS é um estado com um potencial musical enorme em vários segmentos. A música mais tradicional tem um mercado muito ativo de discos, shows e festivais. O Rock Pop também não pára de produzir coisas boas como Papas da Língua, Doidivanas e Comunidade Nin jitsu. A dita MPG (uma espécie de MPB gaúcha) continua surpreendendo como no belo show/CD "Juntos". Isso tudo sem falar de Vitor Ramil, Ney Lisboa, etc etc.

Pergunta: Um dos maiores méritos de Kleiton & Kledir foi o de quebrar as barreiras impostas pelo mercado e conquistar o público de todos os Estados do país, não somente do RS. Essa conquista foi gradual? Era difícil conseguir espaço na mídia sendo uma dupla do sul?
Kleiton -
Acho que existe um misto de amor pela música, persistência e uma boa estrela protegendo. Era claro para nós no início, que a música do sul tinha força para ocupar um espaço mais importante no país e até fora dele (continuamos acreditando -acabamos de fazer três shows nos USA). Querer e fazer são coisas muito diferentes. Não é fácil mas não é impossível.

Pergunta: Qual era a reação do público com as músicas que falavam do Sul?
Kledir
- Sempre existiu uma curiosidade em relação ao SUL e à nossa maneira de ser e de falar. A gente viaja o Brasil inteiro, somos sempre muito bem recebidos, e até hoje temos que estar sempre contando coisas da nossa terra.

Pergunta: Quais seriam as grandes influências de Kleiton e Kledir?
Kleiton
- No popular Lupicínio Rodrigues, Adoniram Barbosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Beatles... tem muita gente. No erudito, Bella Bartok, Debussi, Ravel...

Pergunta: Depois de lançarem o CD Dois, em que revisitam algumas das canções mais famosas da dupla além de gravarem números inéditos, K&K gravaram o álbum Sul. A dupla sentiu alguma necessidade de voltar a executar aquele repertório de canções antigas, típicas do nosso Estado?
Kledir
- Há muitos anos tínhamos vontade de gravar um disco assim com standards, com clássicos do nosso cancioneiro. É nossa homenagem à nossa terra, nosso folclore e nossos grandes compositores. É a história da musica popular gaúcha sob nosso ponto de vista.

Pergunta: Qual o próximo projeto da dupla?
Kleiton
- São muitos, mas objetivamente falando temos um novo disco pela frente pra fazer para a Universal Music, uma revista cultural para a TV já aprovada pela TVE Rio, "Kleiton e Kledir apresentam Revista Cultural Brasileira" e muitos shows no Brasil já agendados com um retorno em breve aos USA.

Pergunta: Muitas bandas gaúchas reclamam da falta de integração dos músicos, principalmente em Porto Alegre. O espírito de camaradagem, que sobra em Estados como a Bahia, por aqui está em falta. Existe algum conselho que vocês dariam para as bandas gaúchas que queiram fazer um trabalho fora do Estado?
Kleiton
- Seria bom levar a sério o amor próprio e a camaradagem entre os gaúchos. E pensar em levar isso tudo, toda arte do sul, até o fim da galáxia se for possível. A música do sul tem força pra isso. Desde o rock gaúcho até o mais específico regionalismo. O que fazer para isso? Acho que devemos apresentar música melhor que a melhor música que há no mundo. Ou pelo menos tão boa quanto. Temos que ser pretensiosos no bom sentido e mostrar boa música! Essência e estética!

Pergunta: Quais são as histórias (ou como foram escritas) as músicas "Noite de São João", "Vira Virou", e "Trova"?
Kledir
- "Noite de São João" é uma parceria minha com Pery Souza. Escrevi a letra aqui no Rio, na Gávea onde morava na época, depois de passar a noite inteira, sem conseguir dormir, ouvindo o Vitor compondo a outra Noite de São João (sobre versos do Fernando Pessoa) que ele gravou em Ramilonga. Vira Virou o Kleiton escreveu depois de uma viagem à Lisboa. Kleiton escreveu este tema para a cantora portuguesa Eugênia Mello Castro, com quem gravamos um disco em Portugal. Trova é a nossa versão para o tradicional desafio de versos gaúchos que escutávamos quando crianças no Grande Rodeio Coringa. Para escrever os versos fiz uma longa pesquisa com vários trovadores e o encontro mais inesquecível foi com Gildo de Freitas, o Rei da Trova.

Pergunta: Como vocês encaram a carreira do Vitor Ramil? A família Ramil já tem mais algum nome promissor na área musical?
Kleiton
- Vitor Ramil é o presente e indica o futuro da música gaúcha. Todas as pessoas que entram em contato com a sua obra ficam impressionadas. É um exemplo a ser ouvido e seguido. Não podemos nos ater aos modismos. Seu trabalho é sempre uma referência para nós. Na nossa família já há muitos novos talentos. Mas isso ainda é segredo!


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