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1 - Vc escreveu a biografia do Carlinhos
Hartlieb, ele teve alguma influência
na sua carreira musical?
Conheci a música do Carlinhos quando
vim morar em Porto Alegre, aos 12
anos. Foi bem na época em que o Livrpool
(grupo do Fugueti Luz que originou
o Bixo da Seda) tinha acabado de gravar
uma versão maravilhosa de Por Favor,
Sucesso. Anos depois, uma moça chamada
Glória Oliveira fez um desfavor à
música gaúcha, ao Carlinhos e ao Liverpool
gravando uma versão horrorosa dessa
música. Na verdade, quando eu ouvia
Liverpool, não sabia bem quem era
o Carlinhos. Gostava do som rocker
do grupo do IAPI. Carlinhos tem um
papel muito importante nos 70 como
agitador cultural e aglutinador de
pessoas. Ele criou, por exemplo, as
Rodas de Som do Teatro de Arena, onde
fiz meu primeiro show quando o Carlinhos
já tinha saído do projeto que tinha
sido assumido pelo Nelson Rolim, que
eu não sei que fim levou.
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2
- Você faz parte da história do Rock
Gaúcho e participou de bandas lendárias
como Atahualpa Y Us Panques. De todas
essas bandas, qual foi a mais legal
que você participou?
Atahualpa y Us Panquis foi a banda
mais maluca e divertida em que eu
toquei. A gente ensaiava às 9 da manhã,
todo os dias, no pátio da casa da
avó do Gordo Miranda e ela vinha nos
oferecer café e biscoito no meio do
ensaio. Foi naquele pátio que conheci
gente como Edu K, com quem eu e o
Miranda fizemos 3 Almas Perdidas,
a banda mais doente de Porto Alegre.
Na verdade, quando penso nas banda
que toquei, noto que todas elas foram
importantes em momentos exatos da
minha vida. Acho, como o Edu achava
também, que a gente só faz rock em
Porto Alegre pra não morrer de tédio
nessa cidade. Como dizia uma amiga
minha naquela época de punk/new wave/seja
lá o que fosse, a gente só cortava
os cabelos pra não cortar os pulsos...
3
- Como um músico atuante no cenário
do Rio Grande do Sul, você acha que
ainda existe uma barreira para a música
que vem daqui estoure no centro do
país? Bidê ou Balde e Video Hits,
por exemplo, são fenômenos isolados?
Sempre tem alguma banda ou algum
artista gaúcho fazendo sucesso "lá
em cima". Mas são coisas esporádicas.
Teve o Hermes Aquino nos anos 70,
que foi sucesso nacional com Nuvem
Passageira, teve Engenheiros do Hawaii
e Nenhum de Nós nos 80, tem Replicantes,
que até hoje é cult band em todo Brasil.
Mas são exemplos solitários, representantes
mínimos de um universo imenso. Se
comparar o número de bandas de axé,
a maioria da Bahia, por exemplo, que
consegue espaço na (odeio essa palavra)
mídia, a gente perde de goleada. A
verdade é que, longe de qualquer papo
separatista ou seja lá o que for,
nós temos uma realidade cultural muito
diferente do resto do país.
4
- Você já traduziu obras literárias.
A literatura influenciou o seu trabalho
musical?
Eu sou meio "esponja" (às vezes etilicamente,
também) em termos de influências.
Certamento devo ter incorporado muita
coisa de literatura em minhas músicas,
assim como eu usava muita literatura
no rádio quando fazia a Ipanema. Na
música, acho que a influência literária
mais forte vem da poesia beatnik,
especialmente de caras como Allen
Ginsberg e o sublime Gregory Corso.
5
- Que som você está escutando atualmente?
Eu continuo escutando de tudo, seja
por prazer seja por questão de trabalho.
A história de "brincar" de DJ no Ocidente
sexta sim, sexta não, me obriga a
prestar mais atenção no panorama da
dance music e da música eletrônica
contemporânea. Mas basicamente continuo
ouvindo de tudo.
6
- Você transita por vários estilos
musicais diferentes, como o trabalho
dos Daltons e Wander Wildner. Porto
Alegre continua tendo um cenário diversificado
ou ainda falta espaço para alguns
estilos?
Mesmo que em número limitado,
Porto Alegre tem espaço para praticamente
todas as manifestações musicais. Lugares
mais recentes como Centro Cultural
Redenção ou Área 51, entre outros,
garantem ainda mais essa diversidade.
Comparativamente, em relação a São
Paulo, por exemplo, considerando população,
poder aquisitivo, dados mensuráveis
enfim, nós estamos bem. Temos lugares
(bares, teatros, espaços públicos)
abertos às mais diversas manifestações
musicais.
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