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| Gallaxy
Trio |
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PET
Music. Você conhece? Pois é assim
que a Gallaxy Trio gosta de chamar o seu som,
de Power Electronic Trio. Misturando samplers,
um bom recheio de guitarras e uma fina camada
pop, Jimi Mars (vocal), Vini Ice (guitarra)
e Cyber Kazz (samplers e bateria) estão
seu CD de estréia, "Congelador".
Atualmente disponível no site da Alfamusic
(www.alfamusic.com.br), o disco deve chegar
em breve às lojas, incluindo a música
"Até o fim", tema de abertura
do programa Radar. Num lindo domingo de sol,
Vini Ice nos recebeu em sua casa (com direito
à coca-cola e orelhinhas de macaco)
para nos ajudar a desvendar mais de perto
os segredos dessa tal de PET Music, conhecer
melhor a Gallaxy Trio e fofocar um pouco sobre
o cenário musical gaúcho.
Por
Tanara Araújo |
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Musicatri:
Qual seria o rótulo certo para o
som da Galaxy Trio?
Vini: A gente, na verdade, um amigo
nosso jornalista fez um release da gente
e ele rotulou a banda como PET Music - Power
Electronic Trio. E a gente gosta de ser
rotulado como rock eletrônico, porque
é rock e tem as coisas eletrônicas.
Inclusive, para o segundo CD, nós
queremos fazer umas 16 músicas nessa
linha e dessas 16, umas seis vão
ser bem eletrônicas mesmo, pra rave.
Musicatri:
Alheio a qualquer preconceito e tal, mas
esse tipo de música geralmente é
associado a letras em inglês. Por
que a escolha pelo português?
Vini: Eu acho que para o acesso ao público.
Não é todo mundo que sabe
inglês, e a gente também não
fala muito bem inglês, então,
preferimos fazer na língua da gente.
Eu acho que também a música
brasileira tá sendo bem aceita fora,
tanto que a Fernanda Porto hoje canta em
português e vai pra rave no mundo
inteiro, virou universal, sabe.
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Musicatri:
Quais são as influências da
Galaxy? Em algumas músicas, eu achei
numa pitada de White Zombie, por exemplo...
Vini: Éeeee, é muito universal
essa história. Mas eu digo assim...eu
acho que tem não influências
diretas, mas tem inspirações
de Marylin Manson, Prodigy, Rammestein,
U2....são todas as coisas que a gente
ouviu...Legião Urbana, Titãs...isso
tudo vai fazer aquela salada e tu vai criando
um estilo próprio. Mas, na verdade,
a gente não é uma banda que
fica ouvindo assim: "bah, como é
que os caras fazem isso, aquilo", não.
Tu faz e, de repente, a coisa sai meio com
o sotaque daquela banda, mas não
porque tu vá procurar fazer igual.
Musicatri:
É uma espécie de salada do
que vocês ouvem...
Vini: Não é bem uma salada
do que a gente ouve. É tipo assim:
aquela coisa vai entrando em ti, então
por mais que tu queira desviar...
Musicatri:
...Referências inconscientes...
Vini: Exatamente isso! Até porque
hoje em dia tu não tem como dizer
assim "ah eu não me inspirei
em qualquer coisa". Tudo o que tu ouve
vai ser fonte de pesquisa pra uma coisa
futura. Hoje em dia, The Hives, The Strokes
estão bebendo na fonte do punk dos
anos 70, 80.
Musicatri:
Entrando num assunto mais polêmico,
manter uma banda aqui no Rio Grande do Sul
é mais difícil que no centro
do país, na tua opinião de
músico?
Vini: Eu acho. Eu acho, porque aqui
não tem uma mentalidade empresarial
legal. Não tem boas casas de shows,
não tem um empresário que
faça, tipo assim, "eu vou comprar
a idéia da banda, vou vestir a camiseta",
como o Poladian no Rio de Janeiro/São
Paulo, uma Marlene Mattos que é uma
super-mega empresária. Tem n pessoas
lá que sabem que o retorno é
garantido. E o gaúcho é meio
difícil de agradar também,
o gaúcho tem uma mentalidade meio
"rock n'roll é rock n'roll e
o resto é..."
Musicatri:
Seria por isso que algumas bandas, ao primeiro
sinal de reconhecimento, se mudam daqui?
Vini: Olha, a única banda que
realmente deu certo fora do RS foi os Engenheiros
do Hawaii...
Musicatri:
Vejo um interesse bom atualmente na Ultramem...
Vini: Eu vejo sinais de fumaça,
mas não uma coisa que eu diga assim...é
difícil porque eles fazem uma coisa
que é...quer ver uma coisa que estoura?
Inclusive eu tava falando com os guris da
banda ontem, por que o rock faz tanto sucesso
há tanto tempo, mais de 50 anos?
Porque tem aquela linguagem, aquela mentalidade
puramente adolescente. Quando o músico
que se intitula roqueiro, perde esse cheiro
de adolescência, essa efervescência,
acaba o rock. Eu pego como exemplo a volta
do TNT. Eu vi eles no Radar, não
é mais TNT, não tem mais aquela
pegada, eles transformaram as músicas
em músicas dos Beatles.
Eu tava comentando... eu tenho 33 anos,
mas eu mantenho uma atitude de 18. Eu me
visto assim, tenho tatuagem, brinco na orelha,
sou meio maluco, mas é isso. MPB?
MPB é coisa para pessoa de 40 anos...
Musicatri:
Rock, então, é pra quem tem
síndrome de Peter Pan?
Vini: Não sei se é isso,
eu acho que é o teu espírito.
Agora, a pessoa que pensa assim, "ah,
eu sou um roqueiro, mas agora eu vou ter
que fazer coisas mais elaboradas, porque
eu passei de fase", então, não
é mais roqueiro.
Musicatri:
Essa é uma postura que geralmente
enfraquece as bandas...
Vini: Com certeza. Eu dou um exemplo
disso de uma banda que eu gosto muito que
é o Cidadão Quem. Eles vieram
no primeiro disco arrebentando, um disco
muito bom, mas que não conseguiu
repetir. Esse novo disco é bem bacana,
tem uma linguagem meio adolescente, mas
eles não passam mais isso.
Musicatri:
Já que estamos falando em bandas
gaúchas, tu não achas que
há mais animosidade do que amizade
entre elas?
Vini: Acho que sim. São poucas
as pessoas que eu conheço que diriam
assim "Ó, Vini, vem fazer comigo
uma história que vai ser legal".
Eu posso contar nos dedos. E outras coisas
que tu não pode estar abrindo publicamente,
que são os caminhos comerciais da
música, que são muito chatos,
são tristes...hoje em dia, tu não
toca mais no rádio pela tua qualidade
e sim porque alguém tá apostando
ou não no teu trabalho, e isso é
uma coisa que...
Musicatri:
É fundamental um empresariado bom...
Vini: Ou alguém que acredita
no teu trabalho e acha assim "bah,
eu vou botar isso aqui tanto tempo em tal
lugar da parada, que vai pegar". Isso
acontece com todo mundo.
Musicatri:
Quais têm sido as dificuldades maiores
da Galaxy?
Vini: No ano passado, não me
lembro bem a data, mas teve uma época
em que a gente tocou na Pop Rock durante
uns três meses direto, quatro vezes
ao dia, sem contar o programa da rádio
nos sábados das bandas novas que
é o "RS Rock". E as próprias
pessoas da rádio adoram a banda,
colocam a Galaxy como uma grande banda e
se perguntam por que a banda não
aconteceu como muitas bandas acontecem.
Mas isso é simples, porque até
um Tiririca, se tu colocar na rádio
dez vezes por dia, a pessoa vai pensar "ah,
que coisa chata", na segunda vez "pô,
tá rodando, deve ser bom", na
terceira, o teu ouvido já vai sendo
domado e tu passa a gostar. Às vezes
não nem o problema de quem tá
tocando, é o problema de quem tá
consumindo, todo mundo meio que se tornou
massa de manobra.
Musicatri:
Qual é o fã ideal da Galaxy
Trio?
Vini: Que goste de música. Não
tem um fã ideal, eu acho que a pessoa
tem que se identificar com a banda. Ah,
tem que ser tipo assim...nós temos
várias pessoas amigas que entram
no nosso site, que acessam, deixam recados,
inclusive, tinha um fã nosso na Argentina
que virou nosso agente por lá. É
que banda é uma coisa tipo assim,
o pessoal pensa "bah, músico
é vagabundo", mas na verdade,
não é.
Musicatri:
Isso é uma pergunta que eu quero
te fazer: pra fazer música direito
tem que ter dedicação exclusiva
ou tem, sim, como conciliar com outros trabalhos?
Vini: Não dá. Não
dá, pelo seguinte: digamos que tu
trabalhe num trabalho normal, tipo oito
horas por dia. Primeiro, tu tem que estar
super bem ensaiado, o público não
vai notar coisas pequenas, mas tu nota,
e tu vê que a coisa...tu tem que ver,
tipo assim...tem que estar bem ensaiado,
tu tem que ter um cara que cuide do teu
som, que seja um cara legal, que conviveu
contigo, tem que ter um cara da luz, tem
que ter a tua equipe legal, tu te que ter
um cara que venda o teu show, que não
pode ser tu, tu tem que ter um cara que
invista uma grana, que vista a camiseta.
Quer dizer, se tu não tem isto, acontece
como aconteceu com a gente nessas primeiras
mil cópias (do CD) que a gente fez:
a gente fez o disco, fez a capa, fez a divulgação,
botou na rádio, botou na TV, botou
na abertura do Radar porque fomos lá,
cartazes a gente foi quem confeccionou.
Musicatri:
Ou seja, se tivessem que ter um emprego
formal, sem chance...
Vini: Fica difícil, ao mesmo
tempo em que é ruim tu só
viver em cima de uma expectativa como essa,
porque é bastante estressante...
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Musicatri:
Demora a dar retorno...
Vini: Depende de quem tá abraçando
a parada.
Musicatri:
Ou seja, voltamos à questão
do empresariado...
Vini: É, aqui não tem
empresários que sejam assim "Ah,
vamos fazer a história". E nem
gravadoras muito sérias. Eu posso
contar que hoje eu tenho aqui em Porto Alegre
gravadoras que dê pra confiar é
a Orbeat, que se diz que vai lançar
um produto, vai lançar mesmo, porque
tem a RBS por trás; a Antídoto,
que se levantou com a Reação
em Cadeia; e essa
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gravadora
que a gente ta que tem um monte de títulos.
Não sei o que vai acontecer, eles
prometeram prioridade pra nós e pra
Acústico Reggae. Esperamos que sim,
né?! Mas o resto, gravadoras menores,
selos menores implicam em tu fazer uma tiragem
de mil cópias, tu ter que comprar
essa tiragem e vai vender aonde? Tu não
vende porque não tem divulgação.
Os shows são dificultados, é
difícil tu chegar e vender, fazer
show. Enfrentar noite, tipo tocar na noite
num bar que, digamos, tenha uma lotação
pequena, tu vai ter muito mais custo do
que benefício, porque tu vai chegar
lá, tu vai ter a tua despesa de carro,
porque uma bateria nas costas é que
tu não vai carregar. Pô, o
nosso staff inclui uma bateria, um amplificador
de baixo, um de guitarra, minhas guitarras,
são coisas que pesam, e tu tem que
montar e desmontar e tu vai lá pra,
não desmerecendo o público,
mas tocar pra 40, 50 pessoas é muito
desgastante. E o público daqui não
respeita muito isso, tu vai fazer shows
em alguns locais...tem uns locais muito
bons, mas outros locais, as pessoas: "blérg,
mais uma". Então, é muito
aquilo "bah, o que tá na TV
ou na rádio é que é
o interessante". Se não está,
acabou, pode esquecer.
Musicatri:
Nesses anos em que vocês estão
juntos, aconteceu alguma coisa maluca com
vocês? Lembro de tu ter me contado
que te ligaram pensando tinha sido tu que
tinha invadido a rádio Atlântida...
Vini: É que o nome dele (vocalista
da "Além do Céu Cinzento")
também é Vinícius,
então deu essa confusão. Também
já fui confundido com o Jacques da
Rosa, há muitos anos, até
porque agora o Jacques tá careca.
Que mais...já aconteceram várias
coisas...aconteceu de a gente estar tocando
no meio de um show, o público estar
gostando e vem um manager da gente mandar
parar. Fiquei enfurecido, queria bater no
cara, porque ele ficou uma semana enchendo
o saco, 20 dias, 30 dias dizendo "vocês
tem que fazer duas horas de show",
chega lá e manda parar com 20 minutos
de show.
Musicatri:
Por quê?
Vini: Porque é louco. A gente
tava indo com um DJ, o DJ não queria
tocar depois da gente, chegou tarde, o show
atrasou e o manager pediu pra parar o show,
e aí a gente além de não
ganhar nada, a excursão não
foi como deveria ser.
Musicatri:
Quais são as tuas expectativas para
a Galaxy Trio?
Vini: Eu espero que a coisa aconteça
agora. Nós temos uma gravadora atrás,
vai ter distribuição, vai
ter alguma coisa de marketing pras rádios,
estamos com uma produtora agora,...então
talvez agora a gente possa só se
preocupar com a música, e isso é
o mais importante, porque daí tu
pode trabalhar, tu pode pensar no teu visual,
tu pode pensar no que vai ter no palco,
tu pode pensar "ah, pode botar tal
luz, pode botar um pano de fundo legal".
Tu não precisa ficar se preocupando
em ir na rádio divulgar ou ir em
tal lugar...ta, todo lugar em que a gente
vai, a gente é bem recebido, o retorno
dos fãs é sempre bem legal,
o problema é que tu não tem
espaço, nem a Ipanema te dá
mais espaço hoje, tudo virou uma
coisa muito comercial...
Musicatri:
É, a Ipanema não é
mais tão lado B...
Vini: Todas as rádios são
comerciais, até porque elas precisam
sobreviver de alguma forma, né?!
Não vamos dizer que isso tá
errado, não. Mas é que deveria
ter um espaço pras novas bandas.
Musicatri:
Um programa específico que fosse...
Vini: Como tem, a Pop Rock tem um programa
no sábado. O Radar, na TVE, tem todos
os dias uma banda nova tocando. O que o
nosso governador deveria pensar de novo
também é o Roda Som - não
tem mais Roda Som, foi extinto e tem que
ter de volta. Eu acho que falta parceria
cultural, deveria ter um Circo Voador, deveria
ter um circuito tipo assim Santa Maria,
Pelotas, Rio Grande, os maiores centros
do interior, onde fosse feito um intercâmbio
entre as bandas - se tu fizer amizade com
uma galera de São Paulo, os caras
vão querer te levar para lá.
Nós também, quando a gente
recém tinha gravado esse CD (Congelador),
a gente mandou pro MP3.com., a gente ficou
em primeiro, segundo lugar - hoje em dia,
a gente tá em sétimo, oitavo
- e veio dez e-mails de americanos, e entre
esses dez, elogiando, uns dois diziam pra
mandar material pra lá porque teria
tudo pra estourar.
Musicatri:
Eu acho vocês uma banda diferente
em relação ao som - não
é aquele eletrônico chapado,
tem pitadas rock, mas também tem
uma pegada pop...
Vini: É, não é
um mantra eletrônico! Tem climas e
tem nuances diferentes. E talvez seja um
erro justamente por isso, porque, de repente
- graças a Deus, a gente tá
em função dos três,
quatro acordes básicos do rock -
mas talvez seja isso, esse pouquinho de
sofisticação que não
agrade àqueles ouvidos que querem
aquela coisa mais direta, tipo Tequila Baby,
que é uma banda super direta. CPM
22 também, todas essas bandas agora
de punk rock são assim.
Musicatri:
Vocês tem todo um cuidado com a estética
também...
Vini: É produto né?! Eu
acho que a banda é tudo, tem que
ter um visual, tipo assim, vinhetas entre
uma música e outra, criar climas.
Mas, infelizmente, a gente ainda não
conseguiu criar a atmosfera que a gente
quer no show, porque a gente não
teve um show só nosso, um show de
lançamento. Se tivesse, seria uma
outra coisa.
Musicatri:
Mas agora parece que vai andar...
Vini: Provavelmente aconteça,
esperamos que sim. Pelo menos, estamos sendo
mais valorizados. Nossa nova empresária,
por exemplo, acha que o cachê que
nós cobrávamos era muito ridículo
(R$600,00). Segundo ela, no mínimo
tem que ser R$1.600,00. É, não
adianta chegar e vender um show..., tá
desvalorizando, não paga nem condução,
né?
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