Esta
é possívelmente a última
entrevista que Diego Medina deu como
líder da Video Hits. Seis dias
depois (no dia 17/03), a banda acabou
sem maiores explicações.
Clique
aqui para ver a carta de Diego Medina
falando do fim da banda. Na entrevista
ele fala de como começou a tocar
e do que seria o próximo disco
da Video Hits. Agora é ficar
no aguardo do material solo do rapaz.
Por Rafael Spuldar
"Diego Medina: Tenho 27
anos, em 2002 vou fazer 28, já entrando
nos 30... eu TENTEI começar a tocar
aos 10 anos. Eu era louco pelo Kiss
e eu queria tocar baixo, só que eu fiquei
sabendo que não dá pra começar tocando
baixo direto, e aí eu tinha que aprender
a tocar violão ou guitarra. Quem tava
namorando a minha tia na época era o
Júlio Reny, e aí eu comecei a ter aula
de guitarra com ele. Eu aprendi a tocar
uns Iron Maiden, mas aí eu enchi o saco
e larguei a guitarra, fiquei muito tempo
sem tocar.
Eu
só voltei a tocar, e daí querer fazer
uma banda, em 93. Eu me juntei com um
amigo meu do colégio, na época a gente
já tava na faculdade, juntamos uns amigos
dele da Fabico (Faculdade de Comunicação
da UFRGS) e fizemos o Los Bacetas, que
era uma banda que ensaiava na garagem
lá dum primo de sei lá quem. Era uma
doença... uma gurizada berrando no microfone,
batendo em panela e o diabo a quatro...
aí o Los Bacetas fez uma apresentação
na PUC, lá num show de talentos, uma
coisa assim, e eu saí fora da banda,
porque eu enchi o saco, mas o Los Bacetas
continuou, e chegou a ter uma formação
de oito caras, um troço assim.
Em
94, eu fui com a família passar a Páscoa
em Rivera, no Uruguai, e daí eu encontrei
uma mesinha, tipo um mini-estúdio portátil,
caseiro, pra gravar coisas em casa.
Daí eu pedi pro pai aquilo de presente
de Páscoa e ele deu, meio que rosnando,
"porra, que cara essa merda",
e aí eu comecei a gravar uns negócios
em casa, e daí nasceu a demo da Doiseu
Mimdoisema. Eu tinha que dar um presente
de aniversário prum amigo meu, e aí
eu resolvi passar uma semana inteira
gravando um monte de música pro cara,
mas umas coisas meio nada a ver, meio
aleatórias, daí saiu a demo da Doiseu.
Essa demos acabou parando, por volta
de abril ou maio de 94, nas mãos dum
DJ da Felusp, hoje Pop Rock, o Beto
DJ. Essa cara começou a tocar "Epilético"
sem parar na rádio... e era aquele troço
feito em casa, precário pra caralho...
e isso acabou chamando a atenção do
Marcelo Ferla, que na época trabalhava
aqui na Zero Hora. Ele começou a apoiar
a Doiseu e mostrou a demo pro Gordo
Miranda, que na época tava coordenando
a Banguela Records, lá em São Paulo.
Ele adorou também e propôs um contrato
pra Doiseu. A gente chegou a assinar,
e na época, em 94 ainda, a Dois Eu virou
um quarteto. Era eu, o Beiço, que também
era no Los Bacetas na época, tocando
baixo, o Mini, da Walverdes, tocando
bateria, e o Rafael Coutinho, que era
um amigo meu do colégio, tocando guitarra.
A gente assinou mas acabou dando em
nada, nunca gravamos disco pela Banguela...
mais porque era uma banda de gurizão
e a gente não se puxava muito, não ensaiava
direito... e o Miranda deve ter dito,
"não vamo gravar esses piá de merda
aí"... nessa época eu tava fazendo
publicidade na Famecos (Faculdade de
Comunicação da PUC), era mais um do
ramo do publicitários que resolvem fazer
banda nessa porra de cidade!
A Dois Eu durou até 96, daí acabou,
e eu comecei a ensaiar com o Michel,
um amigo meu desde o 2º grau, e começamos
a arranhar qualquer coisa, na casa dele.
A partir daí, surgiu o Grupo Musical
Jerusalém, que viria ser a Video Hits.
Aí eu e o Michel começamos a compor
umas músicas no verão de 96 pra 97,
e dali nasceu um monte de música que
a gente toca hoje na Video Hits. Só
que a gente tinha que dar um nome pra
esse troço... a gente pensou em Grupo
Musical Jerusalém, mas não tinha nada
a ver com música evangélica. Era mais
pra tirar um sarro daquelas bandinhas
de baile do Interior. Daí chamamos o
Coutinho e no baixo, o Gustavo, que
também tocou na Dois Eu comigo, depois
do Beiço. Fizemos uns shows como Grupo
Musical Jerusalém e o Coutinho saiu
da banda e entrou o Guto.
Em 98, o Michel descobriu que já existia
uma banda no Interior do RS com esse
nome, e era uma banda de festa-baile,
e aí a gente resolveu trocar, porque
era horrível mesmo... procurando na
coleção de vinis na casa do Michel a
gente pegou aquele "clássico"
lá dos anos 80, o Video Hits, e daí
a gente resolveu mudar o nome pra isso,
até pelo fato da gente não ser muito
chegado em música dos anos 80. Tem umas
coisas legais, mas na nossa opinião,
a grande maioria é difícil de engolir...
daí a gente resolveu fazer essa homenagem
ao contrário.
Em 99, a gente passou quase todo o ano
gravando uma demo no Estúdio Dreher.
A gente ia gravando pingado, levou uns
nove meses pra gravar e mixar tudo,
o que é um tempo longo pra caralho.
A gente lançou essa demo em 2000, mais
ou menos em fevereiro, e essa demo começou
a repercutir legal no resto do país,
teve uma bela crítica na ShowBizz...
e eu tinha mandado uma cópia dessa demo
prum amigo meu do Rio, o Alex Werner.
Eu não sabia, mas ele é o cara que produz
o Los Hermanos. O Alex mostrou a demo
pro Marcelo Camelo, vocalista do Los
Hermanos, o cara adorou a demo e resolveu
dar uam força pra gente e mostrou a
demo pro diretor artístico da Abril.
O pessoal da Abril curtiu e resolveu
nos contratar. A gente assinou em julho
de 2000 e foi pro estúdio, no Rio, pra
gravar o disco. A gente gravou e mixou
até metade de setembro, e o disco foi
lançado em março de 2001.
A banda era um quarteto, mas por causa
da demo, que o Thomas Dreher tinha enchido
de backing, teclado e o diabo a quatro,
a gente não ia conseguir reproduzir
aquilo tudo ao vivo,. com um quarteto.
Por isso a gente chamou as gurias pra
cantar, pra preencher os backings, e
chamamos o Bisogno, pra tocar teclado,
daí virou essa formação de sete.
Musicatri:
Tu achas que o RS dá hoje condições
pra uma pessoa se dedicar exclusivamente
à música?
Medina:
Bah, tem um monte de gente que faz
isso hoje, e eu acho até que, se não
é o Estado que mais faz isso, talvez
seja um dos que mais dá condições pro
músico se manter. Eu acho que tem muita
gente... não vou dar nomes, porque eu
não sei ao certo se realmente eles só
vivem de música, mas acho que tem muita
gente que vive só de música aqui. Gente
que toca em banda cover, que eu sei
que dá uma grana legal, ou gente maior,
que tem uma banda mais conhecida e que
trabalha há mais tempo. O início não
dá dinheiro, com certeza, tem que pelear
muito, na maioria das vezes tu mais
paga pra tocar do que ganha, com aluguel
de equipamento, ou pra se transportar...
é uma merda. Mas mesmo assim aqui no
RS tem uma infraestrutura do caralho
pra tocar, não só aqui em Porto Alegre,
aliás, tem muita gente de outros Estados
que vêm e dizem, "vocês não sabem
a sorte que vocês têm de ter tanto lugar
pra tocar". No Rio é uma dificuldade,
é muito pouco lugar. Em São Paulo é
mais ou menos a mesma coisa, ou tu tem
uma banda um pouquinho mais conhecida
e dá pra tocar num Sesc, num troço maior,
ou só vai tocar em lugares com infraestrutura
ruim. Aqui, não só em Porto Alegre,
mas no Interior também, se encontra
muita casa noturna que tem uma boa estrutura
pra fazer shows, e pagam legal. Aqui,
a gente tem que levantar as mão pro
céu.
Musicatri:
Faz uns anos que se levantou uma conversa
de ressurreição do rock gaúcho, com
bandas como Bidê ou Balde e Video Hits,
e se falou que ia estourar no país inteiro.
Isso já faz mais ou menos dois anos,
e essas bandas assinaram contrato com
gravadoras grandes. Como está o cenário
nacional pra essas bandas hoje? Se acha
lugar pra tocar no centro do país?
Medina:
Esse "hype" todo que levantar
a bola foi mais por parte da crítica,
e também o público mais metido a alternativo.
O povão mesmo, a grande massa que consome
Charlie Brown Jr., Raimundos, ou pagode,
axé ou forró universitário, pra eles
tanto faz quanto tanto fez. Eles nem
se antenaram que existiu esse boom de
banda gaúcha. Eu acho que a crítica
e esse público independente ainda respeita
muito as bandas daqui, dão apoio, ainda
tem lugar pra tocar, mas é tudo numa
infraestrutura underground ainda, não
é nada de tocar em grandes casas noturnas
e chegar se achando o máximo... pode
voltar pra casa se tu pensa assim. É
tudo ainda muito underground, mas não
no sentido de "foda-se o sistema",
o que é uma palhaçada, mas no sentido
de continuar batalhando quase como se
a gente não tivesse gravadora, como
se a gente tivesse com o nosso produto
independente. Não mudou muita coisa,
talvez tu tenha um pouco mais de respaldo,
por muita gente ter elogiado e levantado
a nossa bola, mas nada além disso.
Musicatri:
Falta alguma coisa, alguma faísca, pra
coisa explodir de vez?
Medina:
Eu acho que o que falta na gente
mesmo é querer ser pop escrachado, o
que é uma coisa que a gauchada ainda
não tá a fim de abrir as pernas pra
isso...
Musicatri:
Será que isso é por causa de orgulho?
Medina:
Pode ser um pouco de orgulho, afinal
esse é o Estado mais rockeiro do país,
com certeza. A quantidade de banda de
rock que se encontra aqui tu não encontra
noutro Estado. Talvez seja um pouco
de orgulho gauchesco, tipo "não
podemo se entregar pros hômi!",
mas não sei... dói muito também às vezes
tu ter que te vender, é quase que um
estupro cultural tu ter que fazer um
tipo de som porque tu sabe que vende,
e acho que todas as bandas daqui sabem
o som que vende, e se quisessem, fariam
o som pra vender. Teve uma época até
que o sotaque gaúcho era mais forte
nas músicas feitas aqui, e isso até
poderia atrapalhar um pouco... hoje
em dia eu acho que não se vê mais tanto
sotaque carregado, mas acho que isso
não é de propósito. Acho que as bandas
daqui primam um pouco mais pela criatividade,
por tentar soar um pouco diferente,
por mais pop que uma banda possa ser.
Sinceramente,
seria lindo se o mercado também fosse
mais aberto. Ele tá muito fechado pra
coisas que vendam muito e rápido, coisas
fáceis que dê pra mastigar. Seria legal
ter um mercado que também investisse
em bandas que fossem um pouquinho mais
complicadas. Acho que tem um mercado
independente que consome muito também
bandas um pouco diferentes, mas as gravadoras
não fazem questão de investir nisso.
O troço é cada vez mais dirigido por
dinheiro e por lucro rápido do que por
incentivar a cultura, ou o raio que
o parta.
Musicatri:
Existe algum músico gaúcho que te inspire,
não só musicalmente, mas também em termos
criativos, ideológicos, mercadológicos...?
Medina:
Tem três pessoas que formam, não
o Trio Ternurinha do RS, mas talvez
a Santíssima Trindade daqui. Um, que
é músico também, mas que não costuma
tocar muito, é o Thomas Dreher. Pra
mim ele é um cara fora de série, um
gênio do Sul... pra mim é o melhor cara
pra se trabalhar, pra se gravar num
estúdio e pra produzir. Ele é um cara
muito criativo, ele é tipo o Professor
Pardal... ele inventa sempre umas coisas
mirabolantes, o jeito dele microfonar
os instumentos no estúdio... ele é maravilhoso.
O
outro é o Marcelo Birck... por tudo
que ele já fez em música, o cara é um
Frank Zappa dos pampas, muito criativo
também. As colagens que ele faz com
músicas, as pirações são sempre muito
legais. As letras dele também são muito
legais, o jeito que ele trabalha as
palavras, é muito legal.
E
o terceiro é o Frank Jorge. As músicas
dele são lindas desde o tempo da Graforréia,
ou no trabalho solo dele. Ele tem uma
qualidade pra compor músicas que é muito
foda. As letras dele são lindas, têm
uma poesia muito legal, e as melodias
são maravilhosas. Então o Dreher, o
Birck e o Frank são os maiores pra mim.
Sempre que eu tou tentando criar alguma
coisa, eu tento imaginar, "como
será que o Frank faria?". Eu jamais
vou chegar nos pés deles, mas eles me
inspiram igual.
Musicatri:
Dá pra se notar diferenças entre os
músicos gaúchos dos anos 70 e 80, como
Nei Lisboa, Nelson Coelho de Castro,
para a geração daqui de hoje em dia.
Por que tu acha que existe essa diferença,
que é sonora, temática, entre as gerações? O que mudou, foram
os músicos, foram as influências, ou
o RS?
Medina: Bah, eu acho que
foi tudo. Em relação a som, por exemplo:
a tecnologia, o modo de gravar da época,
que era mais primitivo, apesar de ser
um negócio legal... naquele tempo não
tinha computador. Hoje tu chega num
estúdio e é muito mais fácil gravar
um disco num computador. Por exemplo,
se tu quiser copiar uma parte que vai
ser tocada igual, ao invés de repetir
e tocar aquela parte várias vezes, tu
pode simplesmente cortar aquela parte
e só colar, seqüenciar aquilo ali. Isso
aí já te poupa um tempo do caralho.
Isso é pior, na minha opinião. Eu prefiro
um troço sempre tocado do que ir pelo
lado mais fácil, mas até por frescurite,
porque "perde um pouco da magia"...
brincando, é só ali cortar no computador,
colar e "beleza, mais uma tá pronta
aí, a próxima na padaria..."
Além
disso, da tecnologia da época influir
no jeito de tocar e gravar, a própria
cultura da época era diferente, o modo
de se viver, uma série de coisas...
moda, enfim... assim como a cultura
foi mudando com o tempo, tu acaba falando
de coisas diferentes porque o ambiente
sempre acaba te influenciando na hora
de fazer o troço. Como o modo de viver
era completamente diferente, isso se
refletia nas letras e nas músicas.
Musicatri:
Qual é o som que tu ou a Video Hits
espera estar fazendo daqui a cinco,
dez anos?
Medina:
Eu sinceramente espero fazer um
pop mais experimental, mais complicadinho...
algo próximo ao que o Birck faz. Um
pop todo meio quebrado, colagens de
pedaços de música pop, que começa dum
jeito, daqui a pouco muda, o andamento
da música cai pra sei lá o que, volta
pra isso... cada música ser uma colagem.
Eu acho que tem como ser pop fazendo
isso, e vai ser um troço cada vez menos
mercadológico.
Eu
não consigo me imaginar vivendo de música.
Música pra mim vai ser cada vez mais
um hobby. Até porque viver de música
nesse país é ter que se vender, tem
que fazer merda, rebaixar a tua qualidade
musical pra merda mesmo. Eu tou meio
decepcionado com isso, então eu prefiro
mais ir pela margem, fazer um troço
que, mesmo que seja pra poucos, ou pra
mim mesmo, do que ter que fazer um troço
que agrade todo mundo e eu me olhe no
espelho e me ache um bosta.
Musicatri:
A Video Hits tá gravando agora? Qual
é o próximo projeto?
Medina:
A Abril nos deu um pé-na-bunda em
dezembro do ano passado, e agora a gente
tá procurando gravadora. A gente então
passou esse verão agora gravando uma
demo em casa, com umas 12 músicas novas.
Ficou bem caseiro, não ficou com a qualidade
da demo do Dreher. Agora a gente tá
mandando essa demo pra várias gravadoras.
E teve mudanças na banda, as gurias
saíram, agora são cinco integrantes.
Pelo que eu entendi, a Vivi tá querendo
levar uma vida mais sossegada, quer
ter um filho esse ano, cuidar da vida
dela... a Carla tá procurando emprego,
encheu o saco de não ganhar nada com
música. E o Guto preferiu se dedicar
mais à ilustração. Daí a gente encontrou
um novo guitarrista, o Chico Paixão,
que toca com a Relógios de Frederico.
Agora a gente tá ensaiando um show novo,
porque eu acho que aqui em Porto Alegre,
pelo menos, ninguém mais agüenta ver
o mesmo show da Video Hits... nem a
gente agüenta mais tocar... a gente
também tá reestruturando as músicas
antigas, que tinham um backing, e tal.
Com certeza aquilo vai fazer falta,
mas nós vamos tentar ver como dá pra
trabalhar. A gente tem um show certo
no dia 10 de abril, no Opinião, quando
a gente vai abrir pro Los Hermanos.
Musicatri:
Hoje em dia, muitos músicos tentam vender
uma imagem pro público e pra mídia,
além da própria música. A Video Hits
se preocupa com isso? Caso sim, não
tem receio que o público se identifique
mais com a imagem da banda do que com
a própria música?
Medina:
Imagem é importante, dependendo
do que tu quer passar. Às vezes é legal
tu trabalhar um pouco a tua imagem,
porque isso enche um pouco os olhos
do público, "ah, os guri tão arrumadinho,
ou tão vestidinho assim". Eu acho
que mais na época do lançamento do disco,
em 2001, a gente se preocupou mais em
se arrumar e se vestir dum modo mais
anos 60 e 70. Acho que hoje em dia nós
nem estamos tão preocupados com isso,
a gente tá levando o troço mais sossegado.
Mas
depende do que tu quer passar. Eu acho
que é importante fazer um trabalho legal
na parte gráfica, apresentar um encarte
legal de CD, mesmo que seja na demo.
Isso é mil vezes melhor do que tu receber
uma capa xerocada, meio porca, de qualquer
jeito... acho legal tu receber um xerox
melhor, mais bem feitinho, que mostra
uma preocupação não só na gravação como
também na apresentação do troço. Um
release criativo é importante também,
não aquele monte de papel impresso em
casa, grampeado e contando a trajetória
da banda desde quando o cara era criança.
Se
a banda é engraçadinha, faz um humor
escrachado, tem mais é que se vestir
de palhaço. Na época da Doiseu, que
era uma banda engraçadinha, a gente
se fantasiava, cada um parecia um mendigo.
Hoje em dia, pelo menos pra Video Hits,
acho que isso não importa.
Musicatri:
As gravadoras influenciam muito na hora
de criar uma imagem pra banda?
Medina:
Depende da tua relação com a gravadora.
Se tu baixar muito a cabeça, se tu te
mostrar um cara que tá a fim de acatar
qualquer merda que a gravadora falar,
eu acho que eles passam por cima de
ti e te vestem, te fazem e acontecem...
a Abril até que não quis fazer isso
com a gente. Eles meteram mais a mão
na hora de mixar o disco. Mas com imagem
eles nem se preocupavam muito... a gente
até já gravou programa de TV vestido
de um jeito horrível. Depois tu vê no
vídeo e pergunta, "como é que eu
tive coragem de me vestir daquele jeito?"
Acho que tem muita gente mais humilde,
que faz pagode e axé, e deve ter até
menos acesso sobre o que tá acontecendo
em moda, que acaba deixando que alguém
tome as rédeas, mas sei lá.