| Não tinha intenção nenhuma
de nada e era só pra comemorar
o aniversário da rádio.
Isso foi em 93. Aí em 94 a gente
começou a tocar em estúdio
e a ensaiar como se estivesse jogando
uma partida de futebol de salão.
Só pra se divertir. Mas aí
os caras começaram a ir pro estúdio
e falar "vamos tocar num bar, vamos
ver no que dá". Aí
o primeiro show foi no Barbatana Rock
e a partir daí seguimos estrada,
tocando no interior.
MusicaTri:
Se construiu em volta da banda uma
certa "história"
(que inclusive aparece no site).
Paul Dalton: E que é tudo
verdade! (risos).
MusicaTri:
Mas a banda tem um caráter
meio mutante. Era pra ser assim ou
os integrantes vão e voltam?
Alex Dalton: Agüentar
o Wolney (William) é brabo!
A galera não agüenta!
Tanto que ele é o único
membro original da banda! A galera
volta e meia sai porque é dose!
Paul
Dalton: Como foi ele que nos desenhou,
ele nos desenhou mutantes daquele
jeito. É que ele não
sabe nem ler nem escrever, muito menos
desenhar! (risos)
Alex
Dalton: A gente vai te convidar
pra fazer assessoria de imprensa,
vamos ver se tu também não
vai sair fora correndo.
Paul
Dalton: Eu já saí
3 vezes da banda.
Alex
Dalton: Pra não sair, eu
volta e meia não faço
um show, que é uma maneira
de conseguir agüentar a banda.
MusicaTri:
Então vocês são
"o grupo definitivo por enquanto"?
William: Na real os Daltons são
uma grande família. No site
tem os "procurados", que
é o bando mesmo, são
esses quatro aqui, e os "capturados",
que são os caras que já
estiveram na banda e também
tocam com a gente de vez em quando.
Paul:
é uma família onde os
integrantes nascem de geração
espontânea masculina, porque
não tem UMA mulher nessa família,
só tem homem...meio esquisito...
William:
Mas tudo gerado de um pai só,
Jerome Dalton.
MusicaTri:
E o próximo passo da banda,
depois de muito tocar por aí,
foi gravar o CD (The Dreher Sessions),
que ao contrário do que muitos
pensam, nada tem a ver com o conhaque
Dreher.
William: É, já perguntaram
isso pra gente. Não tem nada
a ver. O (produtor) Thomas Dreher
foi o cara que fez as gravações
com a gente e abraçou essa
causa de gravar ao vivo. Foi a nossa
primeira vez de gravarão vivo
em estúdio e foi a primeira
vez dele também. E aí
a gente procurou o cara. E até
quem deu o nome do disco foi o Jimi
Joe (ex-integrante da banda). E nada
melhor do que dar esse nome pra registrar.
Alex:
Na verdade tem esse nome porque os
caras deram um calote no estúdio
e aí pensaram nesse nome, tipo
"vamos trocar por uma mídia
forçada", aí botaram
Dreher Sessions. Aquela gravação
nunca foi paga! E depois a gente mandou
assaltar o estúdio deles (se
referindo ao assalto sofrido pelo
estúdio Dreher, onde foram
roubados diversos materiais). A gente
foi lá, viu o que tinha dentro,
não pagou e mandou assaltar.
(risos)
MusicaTri:
Deve ser por isso que vocês
são "os procurados"...
Todos: Isso!
MusicaTri:
E o material original da banda. Já
tem uma música gravada, né?
William: É, a gente colocou
nas rádios, aproveitou o aniversário
dos Daltons nesse mês de agosto
pra colocar uma composição
nossa. E a gente ta seguindo, compondo
mais coisas para daí fazer
um CD com músicas próprias.
Musicatri:
Não tem data ainda pra gravação?
William: Não porque a gente
ainda tem que fazer as demos e ver
negociações com gravadora
e tudo mais, isso se pintar gravadora,
porque de repente a gente pode fazer
independente de novo. Tudo depende.
As gravações vão
ser feitas mas aí a gente vai
ver o que acontece a partir daí.
MusicaTri:
Vocês parecem muito bem entrosados
e ensaiados. Seria uma lástima
a banda trocar de formação
novamente nesse meio tempo.
Alex: Quando começa a ficar
bem ensaiado a banda troca de novo,
por isso o William tem que parar de
incomodar tanto!
William:
Não, ao meu ver, depois desses
8 anos, essa é a melhor formação
que a gente já teve.
Paul:
Ele fala isso de todas as formações....
Alex:
Pra mim a melhor foi aquela com o
Jimi Joe, o Julio Reny e o Carlos
Magno.
Musicatri:
Vocês que são músicos
que tocam na noite, o que acham dessa
onda de mp3 que anda tirando o sono
de muita gravadora e muito músico
por aí?
William: Eu sei lá...Pra
músicos, eu acho que tu ter
um contrato com uma gravadora tu não
vais receber o merecido. Então,
tipo, uma vez a gente tava viajando
e uma vez o motorista perguntou "Escuta,
e se piratearem o CD de vocês?".
Mas como é que vão piratear
uma coisa que já é pirata
por natureza? Não tem como!
Aí ele me perguntou "Ah,
mas tu é contra a pirataria?".
Cara, eu não sou! Eu sou a
favor de que baixem o preço
dos CDs, porque eu acho que os caras
tem que ganhar na quantidade, não
na unidade. Pra um país como
o nosso, com um poder aquisitivo baixo,
um CD custar mais de 20 reais é
um absurdo. Mas essa coisa do mp3
estar rolando pra lá e pra
cá é uma forma de divulgação.
Nós também usamos esse
veículo pra divulgar nossas
músicas. Porque as rádios
também divulgam, mas...as nossas
músicas próprias, aos
pouquinhos elas vão entrando
na programação. Mas
é um trabalho formiguinha.
Não é uma potência,
como é o trabalho com uma gravadora,
ou também com sites especializados
nisso aí.
MusicaTri:
Eu já ouvi de vocês que
a banda toca mais no interior do que
na capital. Como vocês vêem
esse mercado do interior, que não
aparece em lugar nenhum mas que existe
e é muito forte.
William: O bom é que o
Rio Grande do Sul ta criando um mercado
muito bom e forte. Porque ta vindo
bandas de Brasília, São
Paulo, procurando sempre fazer alguma
coisa por aqui, porque lá está
saturado. Não que esteja saturado,
mas lá o mercado é outro.
Quem manda lá é Axé-music,
outros estilos de música. Rock
and Roll é difícil de
entrar. Imagina os Daltons tocando
na Bahia?! Num trio-elétrico?
É impossível. E aqui
ta se criando, não só
no Rio Grande do Sul mas no Sul do
país, do Paraná pra
baixo, um bom mercado musical. E também
no interior de São Paulo.
MusicaTri:
Tu diria então que o público
"sulista" é mais
crítico do que os outros?
William: Com certeza! Isso eles
lá em cima mesmo falam. O Luís
Melodia uma vez falou: O artista que
for aprovado aqui no Rio Grande do
Sul é aprovado em qualquer
lugar. Porque o público aqui
é legal pelo seguinte: Eles
estão sempre prontos pra aplaudir
coisas novas e boas, mas se for ruim...eles
vão vaiar, como acontece. Isso
aconteceu tempos atrás com
o Los Hermanos. O Los Hermanos veio
tocar aqui com a Ana Julia na manga.
E que tipo de público foi ver?
Os que gostavam da Ana Julia. Aí
eles começaram a mostrar a
parte Rock and Roll deles e quem estava
lá odiou. Quando eles estiveram
aqui da outra vez, SEM a Ana Júlia,
ou seja, sem um trabalho firmado nessa
música porque já tinha
baixado a bola, o que aconteceu? Na
primeira música o público
já começou a berrar
e a aplaudir e eles mesmos no palco
se apavoraram, sabe? Então
é uma questão assim:
aqui o público é muito
crítico, é muito politizado,
tem uma boa cultura e é nisso
que a gente também se inspira,
porque se a gente fizer porcaria a
gente não vai ser aprovado
nunca.
MusicaTri:
Isso seria culpa da "falta de
jabá" que rola aqui?
William: O jabá continua
mandando. E às vezes a gente
conversa entre nós na banda
e chegamos a conclusão uma
gravadora seria bom mesmo que a gente
não ganhasse muito em direitos
autorais, mas que o jabá rolaria.
Mas é difícil achar
uma gravadora que queira abraçar.
Falta boa vontade da parte deles.
Planos
para este ano e para o ano que vem?
William: Pra este ano é
gravar as músicas. Pro ano
que vem é que, tomara Deus,
a gente consiga fazer o CD como a
gente quer, com bastante divulgação,
atingindo nossas metas.
Musicatri:
Já tem planos de produtor pras
gravações?
William: Sim.
Musicatri:
Quem?
William: Nós mesmos. Mas
teremos a ajuda dos amigos.
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