Os Daltons
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Formado há 8 anos, Os Daltons garantem a diversão de quem gosta de country e rock. Agora com uma nova formação (William Dalton - baixo, Paul Dalton - guitarra, Daniel Dalton - guitarra e Alex Birck Dalton - bateria), o grupo bateu um papo descontraído com o MusicaTri. Confira!

Por Angela Pinto
MusicaTri: A banda começou na Ipanema e com outro nome...
William Dalton:
A gente começou como "Folharada Blues Band", que a gente nem tinha a intenção de...bem, a gente tinha a intenção de comemorar os 10 anos da Ipanema. E aí com isso a gente fazia base pros locutores e programadores e claro, a gente ajudava nos vocais também. Isso porque os vocais deles eram terríveis (risos). As vezes eles iam no palco e um pedaço do pessoal cantava uma estrofe da música e a outra parte cantava outra. E aí a gente ficava imaginando o que os caras estavam escutando lá na frente....Mas é por isso que era chamada Folharada Blues Band, porque era uma folharada mesmo...
Não tinha intenção nenhuma de nada e era só pra comemorar o aniversário da rádio. Isso foi em 93. Aí em 94 a gente começou a tocar em estúdio e a ensaiar como se estivesse jogando uma partida de futebol de salão. Só pra se divertir. Mas aí os caras começaram a ir pro estúdio e falar "vamos tocar num bar, vamos ver no que dá". Aí o primeiro show foi no Barbatana Rock e a partir daí seguimos estrada, tocando no interior.

MusicaTri: Se construiu em volta da banda uma certa "história" (que inclusive aparece no site).
Paul Dalton:
E que é tudo verdade! (risos).

MusicaTri: Mas a banda tem um caráter meio mutante. Era pra ser assim ou os integrantes vão e voltam?
Alex Dalton: Agüentar o Wolney (William) é brabo! A galera não agüenta! Tanto que ele é o único membro original da banda! A galera volta e meia sai porque é dose!

Paul Dalton: Como foi ele que nos desenhou, ele nos desenhou mutantes daquele jeito. É que ele não sabe nem ler nem escrever, muito menos desenhar! (risos)

Alex Dalton: A gente vai te convidar pra fazer assessoria de imprensa, vamos ver se tu também não vai sair fora correndo.

Paul Dalton: Eu já saí 3 vezes da banda.

Alex Dalton: Pra não sair, eu volta e meia não faço um show, que é uma maneira de conseguir agüentar a banda.

MusicaTri: Então vocês são "o grupo definitivo por enquanto"?
William:
Na real os Daltons são uma grande família. No site tem os "procurados", que é o bando mesmo, são esses quatro aqui, e os "capturados", que são os caras que já estiveram na banda e também tocam com a gente de vez em quando.

Paul: é uma família onde os integrantes nascem de geração espontânea masculina, porque não tem UMA mulher nessa família, só tem homem...meio esquisito...

William: Mas tudo gerado de um pai só, Jerome Dalton.

MusicaTri: E o próximo passo da banda, depois de muito tocar por aí, foi gravar o CD (The Dreher Sessions), que ao contrário do que muitos pensam, nada tem a ver com o conhaque Dreher.
William:
É, já perguntaram isso pra gente. Não tem nada a ver. O (produtor) Thomas Dreher foi o cara que fez as gravações com a gente e abraçou essa causa de gravar ao vivo. Foi a nossa primeira vez de gravarão vivo em estúdio e foi a primeira vez dele também. E aí a gente procurou o cara. E até quem deu o nome do disco foi o Jimi Joe (ex-integrante da banda). E nada melhor do que dar esse nome pra registrar.

Alex: Na verdade tem esse nome porque os caras deram um calote no estúdio e aí pensaram nesse nome, tipo "vamos trocar por uma mídia forçada", aí botaram Dreher Sessions. Aquela gravação nunca foi paga! E depois a gente mandou assaltar o estúdio deles (se referindo ao assalto sofrido pelo estúdio Dreher, onde foram roubados diversos materiais). A gente foi lá, viu o que tinha dentro, não pagou e mandou assaltar. (risos)

MusicaTri: Deve ser por isso que vocês são "os procurados"...
Todos: Isso!

MusicaTri: E o material original da banda. Já tem uma música gravada, né?
William:
É, a gente colocou nas rádios, aproveitou o aniversário dos Daltons nesse mês de agosto pra colocar uma composição nossa. E a gente ta seguindo, compondo mais coisas para daí fazer um CD com músicas próprias.

Musicatri: Não tem data ainda pra gravação?
William:
Não porque a gente ainda tem que fazer as demos e ver negociações com gravadora e tudo mais, isso se pintar gravadora, porque de repente a gente pode fazer independente de novo. Tudo depende. As gravações vão ser feitas mas aí a gente vai ver o que acontece a partir daí.

MusicaTri: Vocês parecem muito bem entrosados e ensaiados. Seria uma lástima a banda trocar de formação novamente nesse meio tempo.
Alex:
Quando começa a ficar bem ensaiado a banda troca de novo, por isso o William tem que parar de incomodar tanto!

William: Não, ao meu ver, depois desses 8 anos, essa é a melhor formação que a gente já teve.

Paul: Ele fala isso de todas as formações....

Alex: Pra mim a melhor foi aquela com o Jimi Joe, o Julio Reny e o Carlos Magno.

Musicatri: Vocês que são músicos que tocam na noite, o que acham dessa onda de mp3 que anda tirando o sono de muita gravadora e muito músico por aí?
William:
Eu sei lá...Pra músicos, eu acho que tu ter um contrato com uma gravadora tu não vais receber o merecido. Então, tipo, uma vez a gente tava viajando e uma vez o motorista perguntou "Escuta, e se piratearem o CD de vocês?". Mas como é que vão piratear uma coisa que já é pirata por natureza? Não tem como! Aí ele me perguntou "Ah, mas tu é contra a pirataria?". Cara, eu não sou! Eu sou a favor de que baixem o preço dos CDs, porque eu acho que os caras tem que ganhar na quantidade, não na unidade. Pra um país como o nosso, com um poder aquisitivo baixo, um CD custar mais de 20 reais é um absurdo. Mas essa coisa do mp3 estar rolando pra lá e pra cá é uma forma de divulgação. Nós também usamos esse veículo pra divulgar nossas músicas. Porque as rádios também divulgam, mas...as nossas músicas próprias, aos pouquinhos elas vão entrando na programação. Mas é um trabalho formiguinha. Não é uma potência, como é o trabalho com uma gravadora, ou também com sites especializados nisso aí.

MusicaTri: Eu já ouvi de vocês que a banda toca mais no interior do que na capital. Como vocês vêem esse mercado do interior, que não aparece em lugar nenhum mas que existe e é muito forte.
William:
O bom é que o Rio Grande do Sul ta criando um mercado muito bom e forte. Porque ta vindo bandas de Brasília, São Paulo, procurando sempre fazer alguma coisa por aqui, porque lá está saturado. Não que esteja saturado, mas lá o mercado é outro. Quem manda lá é Axé-music, outros estilos de música. Rock and Roll é difícil de entrar. Imagina os Daltons tocando na Bahia?! Num trio-elétrico? É impossível. E aqui ta se criando, não só no Rio Grande do Sul mas no Sul do país, do Paraná pra baixo, um bom mercado musical. E também no interior de São Paulo.

MusicaTri: Tu diria então que o público "sulista" é mais crítico do que os outros?
William:
Com certeza! Isso eles lá em cima mesmo falam. O Luís Melodia uma vez falou: O artista que for aprovado aqui no Rio Grande do Sul é aprovado em qualquer lugar. Porque o público aqui é legal pelo seguinte: Eles estão sempre prontos pra aplaudir coisas novas e boas, mas se for ruim...eles vão vaiar, como acontece. Isso aconteceu tempos atrás com o Los Hermanos. O Los Hermanos veio tocar aqui com a Ana Julia na manga. E que tipo de público foi ver? Os que gostavam da Ana Julia. Aí eles começaram a mostrar a parte Rock and Roll deles e quem estava lá odiou. Quando eles estiveram aqui da outra vez, SEM a Ana Júlia, ou seja, sem um trabalho firmado nessa música porque já tinha baixado a bola, o que aconteceu? Na primeira música o público já começou a berrar e a aplaudir e eles mesmos no palco se apavoraram, sabe? Então é uma questão assim: aqui o público é muito crítico, é muito politizado, tem uma boa cultura e é nisso que a gente também se inspira, porque se a gente fizer porcaria a gente não vai ser aprovado nunca.

MusicaTri: Isso seria culpa da "falta de jabá" que rola aqui?
William:
O jabá continua mandando. E às vezes a gente conversa entre nós na banda e chegamos a conclusão uma gravadora seria bom mesmo que a gente não ganhasse muito em direitos autorais, mas que o jabá rolaria. Mas é difícil achar uma gravadora que queira abraçar. Falta boa vontade da parte deles.

Planos para este ano e para o ano que vem?
William:
Pra este ano é gravar as músicas. Pro ano que vem é que, tomara Deus, a gente consiga fazer o CD como a gente quer, com bastante divulgação, atingindo nossas metas.

Musicatri: Já tem planos de produtor pras gravações?
William:
Sim.

Musicatri: Quem?
William:
Nós mesmos. Mas teremos a ajuda dos amigos.


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