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Não
é sempre no final do show. É muito
fácil terminar um show e quebrar tudo
porque tu não vai mais precisar das
coisas. Tu joga a guitarra ali, joga
aqui...Depois disso tu não pode ter
certeza que tu vai poder usar nas
músicas que vem depois. E tem acontecido
muito no meio do show, a gente quebrar
e continuar tocando. A música para,
a gente monta as coisas e continua
tocando. Ta ficando cada vez mais
legal. E também pela coisa de respeitar
o fã. Porque a gente tenta, em tudo
que a gente faz, respeitar o fã. Quando
a gente faz a nossa música e o nosso
material gráfico e tudo mais, eu me
olho como um fã!
A
pergunta serve pra esclarecer uma
coisa que acontece com vocês mas acontecia
já com os ídolos. The Who, Jimi Hendrix,
que se queixavam de essa coisa ser
um problema porque muitas vezes eles
ganhavam 300 libras de equipamento
e quebravam 1500. Vocês não se sentem
que nem eles então?
Beto:
Não, porque os guris têm a manha de
jogar os instrumentos e eles não quebrarem!
Eu já quebrei vários pedestais. E
os pedestais não são nossos.
A
produção do clipe de
“Debaixo do Chapéu” está sendo feita
agora (fevereiro/março) para
que ele possa sair no inverno? A letra
tem um pouco desse tema, né? (Clique
e confira a matéria sobre o
vídeo)
Beto:
A intenção é lançar ele até o final
de março. Meia estação. Levando em
conta que leva um tempinho pra se
trabalhar em cima das idéias, vai
acabar saindo próximo do inverno.
Mas a intenção é fazer com que ele
saia no final de março.
Uma
banda com mais de um ano, mas ainda
assim muito nova, foi uma surpresa
no Planeta Atlântida. Vocês acham
que estão resgatando um pouco do “bom
nome” do rock feito aqui, participando
de um festival com tantos nomes de
outros lugares e em tão pouco tempo?
Beto:
Duas coisas. Tocar no Planeta
Atlântida, pra nós, até agora foi
o principal evento em que a gente
tocou. Isso não é novidade. É a maior
vitrine que tu tem. Pra tu aparecer
como músico e ser reconhecido. E realmente
nós ficamos um pouco...Eu não diria
um pouco...Bastante impressionados
com esse lance de terem chamado a
gente. Porque a gente lançou o disco não fazem 4 meses.
E tu ser reconhecido de estar tocando
num festival desses com apenas um
disco e ainda por cima lançado faz
tão pouco tempo. Pra nós foi muito
afudê, mas ao mesmo tempo um pouco
pesado, porque é uma responsabilidade.
Mas nesse caso a gente pensou: “Vamos
lá, vamos fazer a mesma festa do que
se a gente estivesse tocando praquelas
50 pessoas pra quem a gente tocava
há um ano e meio atrás”. Tentar se
sentir bem e a partir daí tentar passar
alguma coisa pro público. Enquanto
a gente estiver mostrando o que nós
estamos fazendo, é indiferente se
é no Garagem Hermética ou no Planeta
Preview. Vamos tentar fazer a mesma
coisa pela qual nos conhecem.
A
segunda coisa. De maneira alguma nós
sentimos esse peso de mostrar que
o rock gaúcho está renascendo, que
o rock gaúcho de novo está aí. Porque
o nosso disco e as nossas influências
não remetem nada ao rock gaúcho. Eu
não considero o nosso disco na linha
do que o rock gaúcho produz. Não é
pretensão, não to dizendo que é melhor
ou pior, mas as nossas coisas não
são pensadas a partir do que acontece
em Porto Alegre.
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Stones da fase psicodélica, Syd Barret,
Pink Floyd da primeira
fase. Daí pra mim passou despercebido
o rock gaúcho. Então não vejo ligação
nenhuma com o que nós estamos fazendo.
Se remete a alguma coisa, se as pessoas
lembram, é porque eles também tem
influências sessentistas no som deles.
Eles também tinham essa coisa de querer
ficar parecido com os Beatles. Mas
de maneira alguma a gente tem alguma
coisa a ver com o que aconteceu no
rock gaúcho. Não é melhor nem pior,
só não tem nada a ver com essa linguagem.
Eu estava reparando no fim do show
de vocês, os músicos falavam com os
moleques que estavam no público sobre
som e diziam pra eles “Escutem Beatles,
escutem Stones”.
Beto:
Eu não conheço ninguém que entenda
mais de Beatles, Stones e Who do que
eu.
Gross:
Eu conheço. Eu!
Beto:
Tu não dá um ovo!
Mas
isso é de família?
Beto:
Isso vem do meu pai, na verdade. Eu
cresci em volta de discos maravilhosos
que o meu pai comprou nos anos 60,
tive a sorte de ganhar um disco dos
Beatles quando eu fiz 8 anos. Que
era o A Hard Day’s Night. Que era
o mesmo disco que o Gross ganhou quando
tinha 8 anos.
Gross:
É uma coincidência que os nossos primeiros
discos... Meu segundo disco foi Magical
Mystery Tour por causa da capa. Do
Beto também. Terceiro foi o Let it
Be, por que eu passei de ano. E o
quarto foi o duplo Vermelho. Foi a
mesma coisa com ele, mas a gente não
se conhecia.
Vocês
acham que ouvindo a Cachorro Grande
esse pessoal mais novo que não se
interessa pelos sons mais antigos
vai começar a escutar Beatles e Stones
por causa de vocês?
Gross:
Uma coisa que eu notei foi um
monte de gurizadinha que vai ao nosso
show que gostam de Nirvana e Ramones.
É o que mais tem por aí. Mas tem uma
parte do nosso show que é punk rock.
É Stooges, é uma coisa que a gente
gosta e é da nossa influência. Mas
tipo,eles gostarem da nossa banda,
vai ser a coisa que vai levar eles
a ter curiosidade... “Porra, que som
esses merda ouvem pra fazerem o som
que fazem?” É uma coisa positiva porque
vai fazer os carinhas que gostam só
de Ramones, ou só de Nirvana irem
atrás do The Who, irem atrás dos Rolling
Stones. Dos Beatles, saca?
Essa
música nova que eu cheguei a escutar
tem bastante influência de The Who.
Vocês sentem a necessidade, como certas
outras bandas, de inovar em todos
os discos. Sempre fazer uma coisa
diferente? Um disco de rock, depois
um disco só de baladas.
Beto:
Isso tem dois lados. Primeira coisa.
Tu não ficar parado no teu som não
quer dizer que tu vai evoluir fazendo
isso. E fazer uma coisa diferente
no teu som e tu não curtir e não ser
uma coisa verdadeira tua. Vai fazer
aquilo pra dizerem que no outro disco
ta bem diferente? As vezes tu faz
isso por gosto mas TU não estás gostando.
E se tu não estás gostando as pessoas
não vão gostar. Se tu não te ama,
ninguém vai te amar. O outro lado
disso é que esse lance de inovar já
é velho!!!!
Gross:
Dentro do tipo de som que a gente
gosta, dentro da coisa Rock and Roll,
anos 60 e 70, isso abrange muita coisa.
A gente pode fazer 10 discos só com
isso de tão rico que é esse som que
foi feito no fim dos anos 60, saca?
A gente pode fazer um som tipo Álbum
Branco, um tipo o Abbey Road, um som
tipo Small Faces, outro tipo Kinks.
E dentro dessa coisa dos anos 60 tinha
um negócio que eles faziam naquela
época, tipo o próprio Sell Out do
Who é uma coisa moderna. Era pra frente
pra caralho! E a gente varia dentro
daquela coisa que a gente gosta.
Beto:A
gente podia muito bem pegar agora
e fazer um disco tipo “Ah, vamos agora
fazer uma coisa bem diferente e botar
trombetas e violoncelos e uma melancia
enfiada no cu” e não gostar daquilo,
né? A gente não vai fazer o que a
gente não gosta.
Mais
eu e o Gross que nos ligamos na evolução
dos anos 60 e a gente sempre conversa
sobre esse assunto. A evolução que
a música tomou desde quando apareceram
os Beatles, quando cada disco eles
lançavam uma coisa nova, uma coisa
mais moderna, uma coisa mais pra frente,
até chegar num ponto, tipo Helter
Skelter, que depois eles foram voltando
a
sonoridade deles. O Álbum Branco
é um resgate a sonoridade deles. É
um ciclo.Esse ciclo acontece com todos
os artistas. Nos anos 60 os Beatles
puxaram isso e todos os artistas foram
atrás. Os Stones...Quando chegou em
67 todas as bandas tavam fazendo uma
coisa mais “pra frente”, com os arranjos
mais sofisticados e em 68 todas essas
bandas retornaram pro seu som cru
que eles faziam em 64.
Ninguém
nunca vai escutar um disco de Forró
da Cachorro Grande, só porque vocês
inovariam o trabalho desse jeito? (risos)
Gross:
Eu acho que não. Eu acho que vai mudar,
mas dentro daquela essência do rock,
pode surgir um monte de coisas aí.
Mas
alguma vez, nem que no início da banda,
vocês compuseram alguma coisa pensando
em ser intencionalmente parecido com
esses grupos? Tipo, agora eu vou escrever
uam coisa no estilo do The Who, por
exemplo?
Gross:
Na verdade, sai naturalmente.
Quando a gente vai botar com a banda.
No The Who, no caso, é o que fica
mais a vista. A gente sempre tem umas
músicas que pedem uns arranjos mais...Rubber
Soul, ou mais Who, mas é uma coisa
que vem natural na gente.
Beto:
É bem natural, mas tem aquele lance
de se dar conta e dizer “Bah, isso
aqui ta meio Álbum Branco”, daí tem
uma aceitação geral. Agora se alguém
falar, “Hum, isso ta meio blábláblá”,
já não é tão...Não existe um processo
de composição tão racional. As vezes
a música aparece antes da letra, as
vezes a letra aparece e tu faz a música
em cima dela. Então às vezes no meio
desse processo, quando tu ainda ta
trabalhando, tu pode optar se pode
fazer “aquela batidinha Keith Richards
ou o batidão Pete Townshend”. Ou acontece
de a gente remeter as músicas ao Supergrass.
E se ta tipo Supergrass ta legal!
As pessoas gostam.
Gross:
O que não pode é estar tipo alguma
coisa xaropona.
Beto:
Resumindo todas as perguntas. Não
é em inovar. É claro que a gente quer
trazer coisas novas, mas elas vêm
naturalmente. Por enquanto a gente
ta fazendo o que a gente gosta. E
não vamos deixar de fazer o que a
gente gosta com essa pretensão de
“inovar”, porque a gente pretende
fazer muito som e lançar muito disco.
O novo disco, que já está quase pronto.
Quase todo calculado e tem umas 10
músicas prontas. Tem alguma coisa
nova ali.
Gross:
Durante esse ano a gente vai seguir
o trabalho, nesse ritmo. A gente vai
gravar outro clipe agora. Vamos subir
lá pra Goiânia em maio, vamos fazer
nosso primeiro show de caráter nacional,
que é no Festival Bananada. Ta previsto
alguma coisa no eixo Rio-São Paulo,
pra eles conhecerem lá...A gente não
tem a intenção de se mudar pra lá.
Beto:
Na verdade a gente ta tirando
tudo que puder desse disco, porque
a gente acredita muito nele e a gente
acredita que ele é como se fosse uma
coletânea, porque qualquer música
se a gente for trabalhar a gente acredita
nela como single. Escolhemos Sexperienced
muito “a dedo”. Então a gente acha
que tem muita coisa pra tirar desse
disco ainda. Mas isso não impede do
nosso processo de composição, enquanto
a gente ta ensaiando pra tocar a tourne,
de a gente vir com músicas novas e
não deixar de fazer música. Porque
o processo das bandas hoje, diferencia
muito do processo das bandas nos anos
60, em que não tinha descanso. E uma
banda puxava a outra.
Gross:
Por exemplo, hoje o processo de uma
banda é “grava um disco, excursiona,
dois anos e meio, três anos grava
outro disco”.
Beto:
Param, tiram umas férias e depois
gravam outro...A gente pretende começar
a gravar um disco novo em outubro,
pra sair no início de novembro. Periga
o “CachorroMania” (título provisório)
sair no início de novembro e manter
esse ritmo de composição enquanto
a gente estiver excursionando. Nós
vamos trabalhar nas coisas novas.
Pra ter um ritmo de a cada ano lançar
um disco.
Gross:
E a gente quer fazer logo o segundo
disco pra embalar também...não ficar
aquela lacuna...fazer uma história
legal.
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