|
Sobre
o que as pessoas gostam de ter informação?
O que os fãs de rock querem ficar sabendo?
Novidades sobre música, é claro... mas se
também rolarem algumas fofoquinhas ninguém
fica triste, certo? Nas últimas semanas
circularam, a boca nem tão pequena, em veículos
de maior e menor importância e credibilidade,
diversos comentários sobre um episódio acontecido
com um certo conjunto de rock oriundo do
nosso amável Estado. A rádio Brasil 2000,
de São Paulo, veicula o programa Garagem,
comandado pelos jornalistas André Barcinski,
Álvaro Pereira Jr. e Paulo César Martin,
o Paulão. Em um programa recente, eles detonaram
algumas bandas gaúchas, entre elas a Bidê
ou Balde, quebrando seus discos no ar. Algum
tempo depois, integrantes da Bidê encontravam-se
em um festa na qual o Paulão era DJ, e o
guitarrista Rossato foi manifestar seu descontentamento
ao jornalista em questão. E é aí
que a história fica confusa, alguns afirmam
que houve porrada, outros que o confronto
foi apenas verbal. O fato é que o assunto
repercutiu. Bidê ou Balde, a banda gaúcha
de ascensão mais rápida e mais falada dos
últimos anos, fala para o Músicatri
sobre a fase pela qual está passando, os
shows no centro do país, programas de auditório
e boataria de Internet.
Por Homera
Cristalli
|
|
Há outras versões
sendo divulgadas, como a de que houve agressão
física, que a Katia (tecladista e backing
vocal) teve que separar vocês...
Rossato: Infelizmente não
houve socos (risos). Eles falaram no programa
que me bateram. É mentira! Como posso respeitar
um jornalista que mente no ar!
Katia:
Eles não se encostaram em nenhum momento,
o Paulão nem tocou no Rossato.
Carlinhos:
Tudo começou porque o cara estava tocando
Weezer, banda da qual eles falam mal no
programa. Foi o que fez o Rossato se indignar.
Mas eles falaram que bateram no Rossato
mais de gozação... Até por isso a gente
preferiu não se manifestar sobre o assunto.
Na verdade isso tudo é uma briga entre gerações
de jornalistas, a gente foi metido no meio.
Katia:
Aproveito para dizer que também é mentira
que o microfone do Carlinhos voou em cima
de uma garota na gravação do programa da
Adriane Galisteu. Isso é só mais uma besteira
divulgada na Internet.
Vocês concordam que
a Bidê é uma das bandas que mais atraem
falatório desse gênero, sobre assuntos que
não estão ligados á música?
Carlinhos:
Sei lá, acho que a gente se expõe
muito. Mas essa sempre foi a nossa intenção,
queremos atingir todos os tipos de público,
o pessoal faz banda de garagem e fica restrito
a um determinado circuito. A gente queria
uma banda de garagem que pudesse ir em programas
de auditório.
Rossato:
Podem falar, não existe má propaganda.
E
as constantes comparações com a Video Hits?
Rossato: Eu nem conheço direito
o som da Video Hits, mas pelo pouco que
ouvi, acho que não temos nada a ver uma
com a outra. Eu acho errado querer forçar
comparações, só porque a gente é da mesma
cidade. Cada um tem seu trabalho.
Carlinhos:
O que a gente tenta fazer é deixar bem claro
que só viemos do mesmo lugar, onde esta
acontecendo uma movimentação, e não um movimento.
Ninguém está unido para estourar, ninguém
está querendo ser um grupo de artistas gaúchos
que pensam sobre a nossa música e nossas
bombachas de lama (risos). A gente só está
querendo fazer nosso som e vendê-lo. É rock
e deu, não estamos defendendo nada.
Como
as pessoas vêm a tal "explosão do rock gaúcho"
no Rio e São Paulo? Há uma tendência a rotular
todas as bandas da mesma forma, por virem
do mesmo estado?
Carlinhos: Não, principalmente
no meio musical, as pessoas têm noção. As
bandas não tem que se preocupar com isso,
cada um tem que fazer a sua parte para estourar
e aí todos vão ver bem qual é a de cada
um.
O
som das bandas daqui é conhecido pelo público
ou só pela imprensa?
Carlinhos: O público está começando
a conhecer. A Bidê está tocando bastante
nas rádios do Rio e de São Paulo. Em Curitiba
estamos em primeiro lugar entre as mais
pedidas, e recebi um e-mail de Belo Horizonte
dizendo que lá está tocando legal também.
(antes da entrevista os Bidês estavam dando
autógrafos para uma fã paulista de passagem
por Porto Alegre)
André:
A gente também foi indicado como
revelação no VMB (prêmio da MTV). Ficamos
sabendo pelo Ico Thomas da rádio Pop Rock..
E
a quantas andam os shows da Bidê em outros
Estados?
Carlinhos: A gente fez um
show em São Paulo, no ginásio do Canindé,
da Portuguesa, numa festa da rádio Brasil
2000, na mesma semana do bolo com os radialistas.
A gente também tocou no Rio, no Realengo,
para 60 mil pessoas, com O Surto e Skank,
entre outros. Estamos fazendo de dois a
três shows por mês fora do Rio Grande do
Sul. No dia oito de julho temos show em
Brasília, no Porão do Rock.
E
a entrevista com o Jô Soares? Ele pediu
para vocês comporem alguma coisa na hora
e vocês tocaram "E por que não?" como se
fosse feita naquele momento. O Jô sabia
que a música estava no disco?
Carlinhos: Acredito que não.
Ele veio do nada com aquela história de
fazer música na hora, e a gente ali tri
nervosos. Era o Jô Soares, porra, vejo o
cara na televisão desde que eu nasci, minha
perna não parava de tremer. Ele não fala
com os entrevistados antes nem depois da
programa. Só tem uma pré-entrevista na qual
ele perguntou como a gente compunha as músicas
e aí eu falei que às vezes o Rossato vinha
com uma melodia e a gente ia fazendo a letra
na hora. Acho que a intenção era nos fazer
de palhaços no ar.
E
o É Show, com a Adriane Galisteu?
Rossato:
Esse foi mais tranqüilo, a gente
estava no palco e ficava no palco. Já no
Jô a produção te manda ir correndo de um
lugar pro outro e não pode errar nada.
Carlinhos:
No Jô eu esqueci de dar telefone de contato,
endereço da página... Na Galisteu a gente
foi por acaso, estávamos gravando umas coisas
para a MTV e nos ligaram dizendo que havia
uma atração faltando no É Show. Daí a gente
foi.
Vocês
pretendem se mudar para São Paulo?
Carlinhos: Não, a banda vai ter
um apartamento lá, com aluguel bancado pela
Abril Music, para o qual podemos ir quando
for preciso.
Vocês
conseguiram em um ano aquilo que muita gente
vem tentando há 10, 15 anos, não só no Rio
Grande do Sul. Como vocês explicam o sucesso
da Bidê?
Carlinhos:
Não tem explicação, é trabalho. A gente
foi buscando brechas, e a gente pensou em
tudo, como queríamos que a banda fosse,
o que queríamos do som. Não tem nada que
não se possa pensar e fazer acontecer. A
gente começou fazendo uma trilha sonora
para um filme dos nossos colegas de faculdade
e quando vimos, a então namorada do André
saiu cantando a música que a gente havia
feito na hora. Aí a gente viu que o lance
era fazer uma banda pop. Porque o povo tem
que ficar decorando a música da dança da
garrafinha ou da motinho, e não pode decorar
um rock massa?
|