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Eu
acho que os pais levam os filhos,
as tias levam sobrinhos e pra nós
é muito legal. Essa gurizada
de hoje em dia, ela é mais
interessada em saber coisas da nossa
história, do Rock Gaúcho,
porque agora o Rock sopra o vento
mais favorável ao nosso Rock
Gaúcho. Eu sei muito bem disso,
porque a gente começou fazem
20 anos, ano que vem vai fazer 20
anos. Era muito difícil tocar,
e as rádios se convencerem
a tocar. Então hoje em dia,
a rádio que não tocar
o rock gaúcho quebra., isso
é uma coisa certa.
Isso
me leva a uma outra pergunta que eu
ia fazer mais adiante e aproveito
pra fazer agora. Nesses 20 anos o
mercado de música aqui no Rio
Grande do Sul teve mudanças
radicais ou tá praticamente
na mesma?
Alemão:
Não. Mudou quase que radicalmente.
Uma coisa que antes a gente ir numa
rádio mostrar o trabalho gravado,
tava mal gravado, e não era
dos padrões da rádio
e não tava muito bem gravado
porque aqui não tinha estúdios
bons...Agora o estúdio que
tem em Nova Iorque tem aqui. Agora
é tudo a mesma coisa. O próprio
computador e a própria globalização
de tudo, como nos próprios
estúdios. O que tem lá
tem aqui. Mas é sempre legal
querer resgatar um som, que nem essa
gurizada nova que quer conhecer a
Bandaliera. Quem são esses
caras que já tem 20 anos de
estrada e a gente não...Porque
hoje em dia é tudo mais fácil,
mas acessível, né?
A Bandaliera já teve diversas
formações. Nunca acabou,
mas já teve várias formações.
Vocês nunca pensaram em fazer
um show juntando essas várias
formações?
Alemão:
Vamos fazer. Ano que vem, com os 20
anos, o projeto é esse. Chamar
a maioria do pessoal que tocou na
banda. O Duca, o próprio Edinho
Espíndola, que é baterista.
O Marcelo Truda, que tocava comigo
no Taranatiriça, quem mais
tocou na banda....O Fughetti, o Maecelo
Fornasier, O Luis Henrique, que era
do TNT, o Dante Jr, que era guitarrista,
esse pessoal...A gente tá com
esse projeto de 20 anos para o ano
que vem, vamos gravar coisas antigas,
coisas novas e chamar esse pessoal
que participou.
A Bandaliera sempre teve uma relação
muito direta com o Fughetti, por gostar
do som que ele fazia...
Alemão: A gente gostava
do Bixo da Seda e era do mesmo bairro..
Essa
relação se esvaiu com
o tempo ou vocês continuam a
se falar?
Alemão:
Não. A gente fez um trabalho
de 5 anos junto com ele, assim...a
gente também meio que resgatou
o fughetti. Ele tava meio parado,
quando terminou o Bixo da Seda. Eu
como era amigo dele ali do bairro
fui visitá-lo e tal e daí
a gente começou a fazer uma
parceria. Ele compunha as músicas
cruas e a bandaliera fazia o arranjo,
colocava o nosso molho. Foi um trabalho
que durou uns 5, 6 anos. E depois,
com o tempo a gente se separou. Foi
cada um pro seu rumo, como o Duca
Lendecker, foi lá pro Cidadão.
Aquelas coisas de banda...Mas a gente
sempre manteve a nossa base, que sou
eu e o João Guedes, que toca
baixo comigo desde que começou
a Bandaliera.
E o que, no som do Fughetti, chamava
mais a atenção de vocês?
Alemão:
As próprias letras dele. Era
um rock mais cabeça, até
eu diria. Não é essa
coisa de hoje em dia, tipo Ultraje
a Rigor, essas bandas mais rock humor.
Então o Fughetti tinha muito
mais conscistência. Muita poesia.
Então chamava a atenção
da gente. A gente era um pouco mais
velho e não queria cantar aquelas
coisas tipo assim...Mim quer
tocar/ Mim quer ganhar dinheiro
(letra de uma música do Ultraje),
ou Mas eu morro de ciúmes,
como um exemplo. A gente seguia mais
pra esse lado poético, né?
Esse disco de 20 anos, do ano que
vem, vão fazer shows? Aquele
show no Araújo Vianna, ano
passado, com o Solon Fishbone e o
Bebeco...Vocês vão reunir
esse pessoal pra shows?
Alemão:
A gente vai reunir o pessoal pra fazer
um show...talvez saia um disco ao
vivo, não sei...porque num
disco ao vivo a gente vai poder usar
mais coisas, uma miniorquestra, um
cello e coisa e tal. Vai ser uma coisa
legal ser ao vivo.
A Bandaliera agora estreiou o seu
site oficial na Internet. A banda
pretende alcançar um novo público
através de uma nova mídia
ou é mais para manter os velhos
fãs informados do que está
rolando.
Alemão:
A gente não chega a ser assim,
uma coisa direcionada. Tipo, Vamos
fazer isso para alcançar aquele
público. A gente faz
as coisas assim, com a maior honestidade.
Se o pessoal gostou, gostou. Se a
gurizadinha nova gostou e quer saber
como é que são as nossas
músicas, pode ir no site. Então
a gente lançou esse site que
tem a nossa história, muita
MP3 antiga, a própria discografia,
desde a nossa primeira coletânea
e coisa e tal. É claro que
a gente quer renovar o público.
Mas eu acho que o público se
renova pelo trabalho, então
é uma coisa automática.
Agora a banda tá tendo mais
acesso a grande mídia, a gente
tá conquistando o publico naturalmente.
Existe ainda um espaço considerável
pra rock? Tem espaço pra todo
o tipo de música? Tem gente
que diz, Pô, agora a Ipanema
só tá tocando Reggae.
Alemão:
Pois é...tá uma onda
de reggae ultimamente. Eu acho que
o pessoal do reggae tá mais
unido que o pessoal do rock and roll.
Agora tá saindo muita coletânea
de reggae tá num bom momento.
Acho que tem espaço pra todo
mundo.
Tem gente que diz que a música
do Rio Grande do Sul só não
dá certo no centro do país
porque o pessoal não se une
o bastante.
Alemão:
O povo aqui é muito assim...sempre
foi, né? Nos anos 80 então
era muito pior, muito pior. O pessoal
das bandas nem se olhava...Agora dos
anos 90 pra cá é que
tá mais essa união,
com essas bandas novas, a Comunidade,
a própria Acústicos
e Valvulados, Tequila Baby, tudo rapaziada
que tem outra mentalidade e são
mais unidos. Essas bandas dos anos
80, nós, Replicantes, a gente
viajava junto no mesmo ônibus
mas ninguém se olhava na cara,
não batia papo. Eles achavam
a gente ripongas. A gente achava eles
uns bunda-mole cineasta, entendeu?
Que eles são até hoje!
Que eu acho que eles são uns
bunda-mole até hoje, curtindo
esse negócio de punk e que
não se flagraram que esse som
aí deles passou. Nunca foram
músicos. Eles não gostam
de mim e eu não gosto deles!
(Clique
aqui e veja a resposta de Carlos Gerbase
aos comentários de Alemão
Ronaldo) As bandas
não tinham essa união
por causa desse disse-me-disse. Essas
picuinhas são coisas ridículas,
porque o que prevalece pra mim é
sempre a música. Eu acho que
a música sempre vence isso
aí. Então era Replicantes,
Bandaliera, TNT era o Dfalla, eles
eram tudo new wave e falavam da gente,
que a gente era hippie e tinha que
cortar o cabelo...aquelas coisas que
não levam a nada...O próprio
Gordo Miranda, produtor aí,
com esse preconceito com a Bandaliera.
E a gente continua até hoje.
A gente nunca parou, a gente toca
poraí, pelo interior. A gente
sempre foi uma banda independente,
a gente nunca foi atrás de
gravadora, mostrar trabalho, fazer
release, mandar fotinho pra uma gravadora
e coisa e tal. Acho que as coisas
acontecem. Tudo rola! Agora tá
favorecendo mais a gente, de fazer
um trabalho honesto, que é
o que a gente sempre fez. Nunca foi
de a gente Ter um trabalho, tipo um
ser cineasta, o outro ser professor
e essas coisas. A gente sempre foi
músico, a vida inteira! A gente
já teve maus momentos, teve
grandes momentos, né? A gente
já passou por uma grande perda,
que foi querido Marcinho Ramos em
1994, já com um disco pronto,
Estação de Pedro, e
aconteceu isso...Então a Bandaliera
é uma aqui do Rock, sobrevivente
do Rock and Roll.
Mas mesmo na guerrilha, depois
de tudo isso, é uma banda que
não deixou inimigos...tem bandas
daqui que até hoje não
se suportam.
Alemão:
A gente sempre soube contornar isso
aí, sabe? A minha única
bronca era desses caras cineastas
que tavam metidos num outro ramo que
não era o deles, ali. Eu não
tinha porque ficar contra, na real.
Era porque eles mandavam muito contra
nós porque eles tinham todo
o favorecimento da própria
mídia, então se aproveitavam
um pouco disso. A gente não
tinha disso então foi a única
bronca que a gente teve na época.
A gente viajou com eles várias
vezes e descobriu que quem era punk
era a Bandaliera! Porque eles eram
tudo metido a punk de butique, e na
real eles são professores e
cineastas. Bons professores e bons
cineastas. Não tirando o mérito
de todo mundo...
É melhor deixar a música
pra quem é músico?
Alemão: É. Os
anos 80 foram muito conturbados musicalmente.
Justamente porque o mercado era muito
difícil e tinha essas pessoas
ainda te colocando pra trás.
Tu ficava dando soco em ponta de faca.
A gente sobreviveu...
Então quer dizer que muitos
desses movimentos, tipo punk, new
wave, essas coisas, atrapalham quem
está de fora?
Alemão:
Não é que atrapalham.
É que os caras querem que,
quando esses movimentos estão
na moda, todo mundo faça a
mesma coisa que eles. Que tu vire
punk, que tu vire new wave, que tu
vire pagode. Até o Duda Calvin,
da Tequila Baby, disse pra nós
pô cara, a
Bandaliera tá legal porque
sempre foi a mesma coisa A gente
nunca quis muda a tendência,
então esses caras falavam mal
porque a gente continuava na nossa,
tocando violinha, gaitinha de boca,
porque a gente era riponga pra eles.
Mas tu vê que hoje, no ano 2001,
voltou aquela bichogrilagem,
aquela coisa. Por que? Porque era
legal! Era uma coisa bacana...
O próprio nome do último
disco de vocês é Bye
Flowers, com uma referencia a isso?
Alemão:
Adeus as flores! Exatamente! Porque
hoje o que ficou foi só a moda!
A música do Jimi Hendrix tá
aí até hoje. A música
do Doors tão aí até
hoje, que são ícones
dos anos 60, anos 70...e era a época
do Flower Power. Então o que
ficou essa moda. O pessoal tentou
voltar a moda só...é
uma coisa passageira.
Falta amor pra essa gente?
Alemão:
Falta amor! É o que diz a nossa
música! Eles riam, se
amavam e ouviam/ o coração
do mundo/ que dizia que o que a gente
precisa é amor/ flower power,
drop out, pé na estrada/ encruzilhadas,
guitarras e sons/festivais, aeroplanos,
viagens/bye, bye, bye, bye.
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