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O
ano era 1982. Estreava nos cinemas
o filme Blade Runner, O Caçador
de Andróides, de Ridley Scott,
com Harrison Ford no papel principal.
Os andróides eram os Replicantes,
seres exatamente iguais aos humanos
na aparência física, mas extremamente
mais fortes, velozes e inteligentes.
No final de 1983, em uma garagem da
cidade de Porto Alegre, se reuniam
uns guris de classe média para formar
uma banda punk: Os Replicantes. Curtindo
o som de grupos como Ramones
e Sex Pistols, Carlos Gerbase
e os irmãos Cláudio e Heron Heinz
precisavam de mais alguém na banda.
Então, em fevereiro de 1984, Wander
Wildner passou a ser mais um Replicante
de bombachas.
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"Nós
achávamos que precisava de um cara
igualmente ignorante em termos musicais
para cantar na nossa banda ignorante".
Essa afirmação do Gerbase sobre a
chegada de Wander Wildner também serve
para ilustrar a principal característica
dos Replicantes: embora não fossem
músicos técnicos (comparando com os
ídolos deles), tinham como base de
sustentação uma forte crítica social
apoiada em letras inteligentes, bem
sacadas e carregadas de um sarcasmo
delicioso. A solidez cultural dos
caras dá a coerência necessária para
identificar Os Replicantes até hoje,
mesmo fora do Rio Grande do Sul. E
claro que os moleques melhoraram musicalmente
com o tempo.
O
primeiro show "sério" da banda foi
em 1984, no bar Ocidente, até hoje
ponto de encontro da cena underground
porto-alegrense. Reunindo amigos da
Oswaldo Aranha e o público habitual
do Oci, Os Repli subiram ao palco
com Wander Wildner nos vocais, Cláudio
Heinz na guitarra, Heron Heinz no
baixo e Carlos Gerbase na bateria.
O público "ovacionou" os músicos punks,
atirando muitos ovos no palco. Até
o dono do Ocidente colaborou no omelete
de Replicantes. Não que não tivessem
gostado, mas achavam que uma banda
punk merecia tal tratamento.
Em
1985, Os Replicantes lançam um compacto.
No ano seguinte chega às lojas o LP
O Futuro é Vortex. 1987 é o
ano do LP Histórias de Sexo e Violência.
Papel de Mau foi lançado em
1989. Andróides Sonham Com Guitarras
Elétricas foi lançado em 1991.
Nesse período, a banda emplacou sucessos
como Nicotina, Astronauta,
Festa Punk, Hippie-Punk-Rajneesh,
sendo o principal deles Surfista
Calhorda. Uma coletânea foi lançada
pela BMG Ariola em 1999, com 20 hits.
Em 2000, Os Replicantes voltam com
um disco ao vivo (as mesmas do Ao
Vivo de 1996), mas trazendo algumas
faixas não incluídas no primeiro e
a inédita A Lua Que Mata (que
não foi gravada ao vivo), versão de
The Killing Moon, do Echo
and the Bunnymen.
A
formação dos Replicantes só teve uma
alteração até hoje. Com a saída de
Wander, Gerbase assumiu como vocalista
e Cléber Andrade passou a ser o baterista.
Wander resolveu seguir a carreira
musical a sério. E isso seria difícil
com Os Replicantes. Cada um tem a
sua profissão, não permitindo que
se dediquem em tempo integral à música.
Os Replicantes, embora assumam compromissos
sérios com shows, ensaios, entrevistas
e discos, querem, antes de tudo, se
divertir. E isso é passado ao público.
O que parece ser tri bom, louco de
bom mesmo. Porque o que realmente
queremos é uma boa
festa punk, sempre garantida com Os
Replicantes.
Márcia Dienstmann
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